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agora estou aqui!



Escrito por Vanessa às 22h51
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O fazedor de homens...

(Drummond)

Todo homem é uma ilha...
É bom ser uma ilha distante tanto quanto é bom ser um homem.
Todo homem possui uma ponte pois é preciso sair da ilha, seguro.
A ponte de um homem é um braço estendido.
Todo homem é um mundo.

O mundo roda no sistema egocêntrico de suas realidades,
pequenos alumbramentos, medos e coragens.
E quando o homem encara o mundo e se depara - homem-mundo, mundo-homem, volta à ilha:
Todo homem ama sua ilha.

II
O homem faz o homem.
E porque fez o homem, sem nem o homem querer aufere direitos do homem.
Diz a ele: Cresça! E ele fica mais alto.
Diz ao homem: Trabalhe! E ele usa o corpo.
Diz ao homem: Viva! E ele respira e existe.
Diz ao homem: Ame! E ele não sabe como.
Mas diz ao homem: Procrie! E ele faz homens.

Um dia ele morre.
Se a vida foi longa para viver
- é curta para morrer -
porque o homem não fez, não escolheu, não pensou nada.

III
O que faz um homem diferente de outro homem é o que ele pensa.
O que o transforma, também, de um simples fazedor de homens, num criador de homens.
Todo homem é uma vontade.
E se deixa de ser vontade teme a perda de sua posse.

Todo homem é uma consciência.
Nela inclui o seu saber e a parte maior do não saber,
e se aceita o fato, é com ela que ele se entende.
Todo homem é seu corpo.
E sabe dele em contraste com outro corpo, tal é a sua medida.

Como também, a medida de um homem é a sua carência:
porque é assim que ele se assume, porque é assim que ele se liberta.
Quanto mais ele precisa mais ele é maior.
E dá. Pede. Reivindica. Exige, quanto pode.
Luta e sofre.

Todo homem quer deixar sua ilha.
Temeroso de ter que voltar um dia, entretanto, não destrói as pontes.
Enquanto isso, a ilha fica ali, só ilha.
A ponte fica ali, só ponte.
E o homem fica ali, só homem.



Escrito por Vanessa às 14h49
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Pirapora: terra de Marku!

Marku Ribas entrou em minha vida pela porta da casa da minha avó, e não pela vitrola, como deveria. Por muito tempo, eu não sabia direito quem ele era, só que era músico, amigo dos meus tios, do meu pai (que insiste em chamá-lo de Marco Antonio) e tio de uma colega super querida de colégio.

Sabia que era um cantor de relativo sucesso fora dos limites ribeirinhos e desde criança ouvia a historia do LP que ele gravou com os Rolling Stones. Ouvia que, uma vez nos States, para a mixagem do tal disco, tinha sido recebido por um rolls-royce branco em pleno aeroporto, mandado pelo próprio Mick Jagger.

Ouvia a historia do inusitado telefonema do amigo, então íntimo, Caetano, que se apresentou simplesmente como Caê e, por isso, ninguém associou o nome a pessoa (!!!) e de como ele recebia artistas em começo de carreira em seu apê no Maracanã, quando ainda morava no Rio: gente que vocês nem imaginam já passaram por lá filando almoço, jantar e cannabis, em tempos de vacas magras...

Diziam, maldosamente, que ele tinha perdido o bonde do sucesso por não fazer nenhuma concessão a sua arte e que, por isso, tinha voltado para Minas, sem ocupar o seu lugar de direito na MPB. Isso tudo eu ouvia, mas sua música, não. Porque Pirapora é um micro-cosmo do Brasil, às vezes demora em reconhecer seus talentos (quando o faz!). Mas, eu sabia, também, que show de Marku no Palácio das Artes, em BH, é garantia de casa cheia.

Durante muitos anos, Pirapora realizava a "Festa do Sol", com shows de artistas as beiras do rio São Francisco. Lembro-me bem do primeiro: um happening sensacional do Zé Ramalho, com gentes dançando na areia em uma noite fria do mês de julho, no tempo em que ainda tinha inverno por lá.

Mas, do que mais me lembro é de um show de Marku no fim da tarde, com um sol incandescente (que no meio do ano os dias são mágicos em Pirapora) caindo no rio São Francisco, lindo e ainda caudaloso, e uns poucos gatos pingados fascinados com aquele som africano, mas pop, totalmente de vanguarda, ainda mais para uma cidade tão pequena.

Nunca me esqueci daquela tarde alaranjada e de Marku no mirante da Rodolfo Mallard. Chorei de emoção, de orgulho e de pena. Como alguém como ele poderia ter tão pouca platéia em sua cidade natal?!

Aí, morando em São Paulo, começo a escutar aqui e ali que Marku Ribas é ídolo de Marcelo D2, Ed Mota, Simoninha, Max de Castro, Luciana Mello, Bucasa, seu Jorge e o Farofa Carioca, Funk como le gusta e toda essa nova geração do samba-rock brasileiro. E começaram a pipocar matérias, recuperando a trajetória deste sensacional percursionista, compositor e dono de uma voz impressionante.

Me enchi de ufanismo provinciano e fui procurar ouvi-lo melhor, conhecer mais da sua obra. Gente, é demais. O cara é gênio, sem dúvida!

Outro dia, vendo o "Altas Horas", me aparece seu Jorge (lindo!) com uma nova formação musical, lançando o CD "Bambas e Biritas Vol. 1". Fazem parte do grupo o próprio seu Jorge, BiD, que também é o produtor do CD, Carlos Dafé e Marku Ribas. O grupo nasceu a partir do lançamento do CD, que conta com dezenas de participações especiais. O som é uma delicia já "que passeia pelo funk, soul e pelo hip hop sem esquecer a eletrônica".

BiD contou numa matéria que uma das parcerias, com Arnaldo Antunes, nasceu de um som tirado com o cantor mineiro. "Eu fiz a música com o Marku Ribas. Ele gravou uma voz guia, cantarolando qualquer coisa, umas palavras que soavam alguns sons. Então pensamos no Arnaldo Antunes e mandamos para ele essa fita. O Arnaldo pegou o jeito do Marku cantar e criou palavras em cima dos sons que ele havia improvisado. Muito da letra nasceu inspirado e baseado em uma coisa meio cantarolada, que não era nada. Foi muito bem feita pelo Arnaldo Antunes. E ficou legal porque o Marku canta muito bem, com muito feeling".

Procurem por aí. Vale a pena. Vale muito a pena. Recomendo o "72-75 Marku". Impecável. Aqui, "Matinic Moins", a minha preferida do cd. E aqui, "la pli tombé" – adaptação deliciosa de uma canção folclórica da Martinica.

PS: O download das músicas está meio lento, mas quem tiver paciência não vai se arrepender. Já estou resolvendo este problema.

UPDATE: Problema resolvidíssimo!!! Agora, dá para ouvir!



Escrito por Vanessa às 02h13
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Mais Maitena e uma grande reflexao!



Escrito por Vanessa às 14h27
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Que ando fazendo...

Estou editando uma publicação sobre cordel e sua influencia no cinema-novo de Glauber Rocha.Vocês podem até não acreditar, mas o tema não é tão hermético quanto parece. A começar pelo cordel, que é maravilhoso! Vocês sabiam que o cordel (assim chamado porque os livrinhos são vendidos pendurados em cordas) é uma tradição francesa, européia, levada ao Brasil pelos portugueses?

Pois, é. Mas, mesmo sendo de outros cantos, foi no Brasil que ela permaneceu e foi rapidamente absorvida pelas camadas mais pobres da população sertaneja, que usavam esta expressão artística para contar suas misérias e agruras num país pós-republica, que tudo deu ao Centro-Sul e muito tomou do Norte-Nordeste.

Glauber soube transpor para a tela de maneira magistral toda a métrica e o enfoque do cordelismo, particularmente em dois de seus filmes: "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro".

Aliás, aconselho a todos que se dispam de preconceitos e qualquer antipatia que sintam por este polêmico diretor e comecem a apreciar sua obra. Eu já vi três, os dois citados no parágrafo anterior e mais "Terra em Transe", o mais urbano e mais fácil deles. Porque o cara é cheio de metáforas, não se pode negar.

Em "Terra em Transe" não, os arquétipos estão todos ali: o político burguês, o outro ligado a TFP e o jornalista que passa todo o filme transitando entre um mundo e outro, sem saber se pende para a revolução das bases, com o apoio dos camponeses - representada por sua noiva ligada ao PCB - ou pela luta armada, tão típica dos grandes centros urbanos nos absurdos anos 60s no Brasil.

Até por ser "mais fácil", parece ser o filme mais datado, digamos assim. Já o "Dragão da Maldade..." é todo uma alegoria. E, por isso, me pareceu mais contemporâneo. Lindíssimo. Cheinho de referências culturais brasileiras, desde o próprio cordel, passando pelo repente, indo até a Cavalhada com pinceladas de umbanda. Genial.

A sensação que tive foi que o filme poderia ter sido feito hoje, já que a estética pouco mudou em alguns rincões do Brasil, assim como algumas expressões políticas, como o coronelismo, que continua firme e forte, sejamos honestos.... Vi há pouco tempo, numa Mostra Itinerante sobre Glauber Rocha que teve por aqui, e adorei! Acabei chegando a conclusão de que eu gosto de Glauber.

E dane-se se pareço pernóstica!!!

Sobre minha publicação, falo melhor depois, que ainda está no comecinho, mas já adianto que rolou até um cordelzinho de minha autoria... ;-) 

PS: Leiam o post do Trovas&Trombos hoje, sobre o "poder" do Google. Está muuuito bom!



Escrito por Vanessa às 01h51
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Genial!

Mais Maitena, no link aí do lado...



Escrito por Vanessa às 14h30
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Era muito bobinho, gente... Fiquei com vergonha e deletei!!!



Escrito por Vanessa às 23h37
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Drummond, sempre ele... ou pro´dia nascer feliz!

Não quero ser o último a comer-te

Não quero ser o último a comer-te.
Se em tempo não ousei, agora é tarde.
Nem sopra a flama antiga nem beber-te
aplacaria sede que não arde

em minha boca seca de querer-te,
de desejar-te tanto e sem alarde,
fome que não sofria padecer-te
assim pasto de tantos, e eu covarde

a esperar que limpasses toda a gala
que por teu corpo e alma ainda resvala,
e chegasses, intata, renascida,

para travar comigo a luta extrema
que fizesse de toda a nossa vida
um chamejante, universal poema.

A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficastes de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.

Hoje não estás sem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.

                Adorando.

        Nunca pensei ter entre as coxas um deus.

                Tudo eu tirei daqui...



Escrito por Vanessa às 02h47
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Lindo, tesão, bonito e gostosão!!!

Ontem foi o encerramento do Elcine – 9º Festival de Cinema Latinoamericano, realizado pela PUC-Lima e, provavelmente, o evento cultural contemporâneo mais importante do calendário peruano. A maravilhosa atriz argentina Cecília Roth foi uma das homenageadas (além da sueca Bibi Andersson que, em seu discurso na abertura do Festival, cometeu uma gafe enorme disfarçada de piadinha...).

Infelizmente, ainda que tenha vindo receber a homenagem, Cecília não pode comparecer ao evento por causa de uma infecção terrível que pegou em Cusco. O médico a proibiu de sair do quarto do hotel pelos próximos dias.

Para representá-la, foi "convocado" o ator, também argentino, Darío Grandinetti, que estava aqui representando o filme "Próxima Salida". Ao subir no palco, discursou sobre a importância da criação de leis de incentivos a produção cinematográfica, tema aliás de uma mesa de debate com cineastas peruanos no dia anterior, um deles o Carlos, sr. Lu, de quem tanto falo aqui no PP. Definitivamente, Grandinetti vestiu a camisa!

Bom, agora que já dei o resumo sério da noite, dá licença para fazer um comentário meio frívolo, mas de suma importância...

Devo dizer que, além de um ator excepcional, dono deste olhar melancólico e desta carinha de "quero colo", Dario Grandinetti é uma coisa. Tremendo sex appeal. Impressionante. Surpreendente. Sorte da Helena Ranaldi… Ai, ai.

PS: Dos filmes em competição, o ganhador foi o brasileiro "O casamento de Romeu e Julieta", de Bruno Barreto, com Luana Piovani e Marco Ricca. Para a gente, pareceu uma zebra gigantesca, mas o público e a crítica estão elogiando tanto que estou comecando a achar que é preconceito nosso... sei lá...



Escrito por Vanessa às 13h31
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Fazendo jus ao Peruposible!

Saímos de Lima as 6:10 da manha de sexta, rumo a Cusco, a quase 4 mil metros sobre o nível do mar. Ainda em casa, antes mesmo de tirar um cochilo, tomamos as “Soroche pills”, recomendadas aos visitantes de primeira viagem. Soroche é o horrível mal-estar que algumas pessoas sentem quando estão em locais muito altos.

Não sei se foi o comprimidinho ou a falta de frescura, mas não sentimos quase nada. Só uma certa exaustão que nos impedia de caminhar muito rápido, por exemplo. No meu caso, além do cansaço, tive um horrível ressecamento no nariz, que o fez sangrar nos dois últimos dias.

Nos hospedamos num hotel que nem se pode chamar de hotel na acepção da palavra. É um misto de hospedaria e pousada. Eles só aceitam hospedes recomendados e nem tem placa na porta. A gente aluga mini-apartamentos e fica com a chave, podendo entrar e sair a hora que quiser.

Nossa habitação era praticamente um mini-loft! Super charmoso. Ambientes integrados, lareira e segundo andar com três camas de “viúva” (nem casal nem solteiro), que praticamente não foram usadas, já que o Mateus dormiu com a gente o tempo todo. Tudo era de madeira e o teto tinha uma espécie de “clarabóia”, que deixava passar o sol da manhã.

Todas as noites a gente recebia uma cesta de frutas (banana, maçã, tangerina e pêra), ovos, queijo, presunto, leite e café. O preparo ficava por nossa conta. Mas, no primeiro dia, como uma simpática forma de boas-vindas, entramos no quarto ouvindo uma chaleira apitando, pronta para preparar o indefectível mate de coca, feito com a folha mesmo, ideal para o frio e a altura. O gosto lembrou muito o nosso “capim-santo” e docinho era delicioso.

Cusco é o máximo! Tudo o que Lima não é e gostaria de ser: cosmopolita, ensolarada (ainda que faça um frio danado de noite!), seca e com estrelas no céu! A cidade possui uma interessante vida noturna, com bares e restaurantes super gracinhas, a preços nada assustadores e gente linda dentro!

Conseguimos uma pessoa de super confiança para dormir com o Mateus. Ou seja, deu para conhecer uns lugares legais nas duas primeiras noites. Primeiro, fomos ao Mama África   e dançamos até as três da manha, mesmo mortos de cansaço (lembrem-se, madrugamos!). Na noite seguinte, conhecemos um pub em frente à Igreja Santa Catalina, que só tocava jazz. Para completar, o guitarrista ainda nos deu, de lambuja, um show de tap e cajón, no melhor estilo afro-peruano. Maravilhoso!

Entre uma noite e outra, almoçamos num restaurante popular onde a dona entabulou uma conversa deliciosa com o Mateus. Ela falava um espanhol interessante de quem o aprendeu depois de grande, pois na infância só falava quéchua, e ele, com o espanhol impecável de um bom limenho. Era engraçado ver o brasileirinho falando castelhano melhor que a peruana!



Escrito por Vanessa às 02h46
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Continuando...

Aliás, devo comentar que, em Cusco, onde está uma das maravilhas da humanidade, meu filhote foi uma atração à parte! É mole ou quer mais?! E tudo por causa do cabelo!!! Teve um menininho que não conseguia não tocá-lo e passou o tempo todo conversando com a mão na cabeça do Mateus. Numa região com pouca mistura, onde quase todos têm, por séculos, os mesmo traços físicos e os mesmos cabelos lisos e escuros, os cachos amarelados do meu filho fizeram o maior sucesso!

Tanto é que em Ollantaytambo, lugarejo onde se pega o trem para Machu Pichu, ficamos horas conversando com Mercedes, que deixou de vender seus badulaques só para conhecer melhor o brasileiro que falava espanhol e tinha o cabelo enroladinho. Antes disso, umas senhoras andinas, com suas roupas coloridas, chapéu e aquela espécie de manta pendurada nas costas onde levam as crianças (lijia), falaram em quéchua, entre si, que o Mateus tinha "lindos ojitos y lindo cabello crespo!". Mais ou menos assim: "añañau munaycha nawuichancuna y crespucha".

Mercedes vendia uma espécie de porta-garrafa feita em tela cusquenha. Recomendo que comprem! Além de um charme, é super útil nas longas caminhadas pelos templos sagrados. A gente pendura no pescoço e não precisa se preocupar em guardar a garrafinha de água na mochila. Ela fica sempre a mão. Custa mais ou menos uns 2 soles, menos de um dólar (sem regateio, claro! Porque se pechinchar, cai para um sol facinho, facinho...). Além de porta-garrafa, tinha também porta-celular e porta-máquina-fotográfica, tudo de tecido cusquenho. Um dia, ainda vão virar moda, podem escrever!

De Ollantaytambo o trem demora umas duas horas até Machu Pichu (velho pico) e é bem confortável. É possível fazer esta viagem desde Cusco, claro, mas é mais caro e mais difícil de encontrar passagem. Aliás, a partir do momento em que se decide ir ao “velho pico” (e, afinal, para isso estávamos lá!), a gente tem que se preparar para gastar de verdade. O passeio não sai por menos de 120 dólares por pessoa.

Mas, vale a pena. O lugar é impressionante! Totalmente mágico e surreal. Não dá para acreditar que toda aquela construção e engenharia tenham sido desenvolvidas há mais de 500 anos! Ainda mais quando a gente pensa que essa civilização tão espetacular não existe mais. E como só foi descoberta em 1911 pelo antropólogo americano Hiram Bingham, esta “cidadela sagrada” não foi corrompida pela invasão espanhola. Está praticamente intacta desde a era incaica.

Sua única mácula foi bem recente: na época do Fujimori, a cervejaria Backus quebrou a ponta do relógio de sol ao tentar usá-lo como peca publicitária. Foi um escândalo e uma das primeiras providencias tomadas pelo atual presidente Alejandro Toledo foi proibir este tipo de atividade no local.

Update: esta foto aí de cima, do guia turistico com o cajado em riste (!!!), foi tirada pelo Mateus. Apesar de escura, nao está maravilhosa?! Diria, épica...



Escrito por Vanessa às 02h42
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E, finalmente...

Sinceramente, recomendo a todos que visitem Machu Pichu. Dizem que saindo do Brasil, por Bolívia, o passeio sai bem mais barato e muito mais interessante, já que inclui turismo de aventura e todo o resto. A única coisa que não recomendo de jeito nenhum é comprar artesanato ou o que quer que seja no pé do pico. Para vocês terem uma idéia, pagamos a bagatela de 40 soles (quase 15 dólares!) por um hambúrguer, uma coca-cola e uma garrafinha de água mineral!!!

Mas, enfim, faz parte.

Agora, o Renato se apaixonou mesmo foi por Ollantaytambo, que tínhamos visitado no dia anterior. E com toda razão. O lugar é fofíssimo!!! O ar é limpo, o céu é azul, as pessoas são super educadas. Além da principal fortaleza dos incas, a cidadezinha possui uma pracinha, uns restaurantes bem simples, lojinhas de artesanato, a delegacia de polícia e a igrejinha. Claro que as ladeiras de pedras seculares te levam as casas dos moradores, mas aí é outra experiência, fora do circuito.

Aliás, uma curiosidade: muitos não sabem, mas aqui no Peru, mesmo nos locais mais rústicos, é possível encontrar cabine de internet (um dia vou escrever sobre isso). E Ollantaytambo não poderia ser diferente. Lá mesmo foi possível baixar todas as fotos que tiramos, porque encontramos cabine com speedy, que ainda nos entregou o cd prontinho pelo preço de 10 soles, pouco mais de dois dólares.
 
Passamos por lá de noite, na volta de Machu Pichu, e nos demos conta de que o lugar é ainda mais bonito. Todos os restaurantes estavam iluminados por velas e a pracinha parecia uma árvore de natal. Descobrimos, portanto, que uma boa idéia é sair de Cusco, conhecer a fortaleza de Ollantaytambo e passar a noite lá mesmo, antes de seguir no trem para Machu Pichu na manhã seguinte. Maior clima romântico... ;-)

Outra coisa que nos chamou a atenção foi a limpeza dos banheiros. Não entramos num lugar, desde o Mama África as duas e tanta da manha até a birosca mais simples de beira de estrada, sem que o vaso sanitário estivesse impecável e o rolo de papel higiênico encostado na pia. Dá para fazer xixi sem medo!
 
Para coroar, uma historinha de turista, mas super gracinha. Na volta de Machu Pichu, fomos seguidos por um legitimo representante inca! O moleque não devia ter mais de dez anos de idade e foi se despedindo da gente desde o pé do pico até Águas Calientes, de onde o trem regressava a Ollantaytambo. O detalhe é que a gente estava num micro-onibus, numa viagem que deve ter tomado uns vinte minutos, e ele estava a pé, correndo no meio do mato.

Era impressionante, porque ele sempre aparecia nas curvas da estrada antes de a gente chegar! Durante todo o trajeto, a gente tentou, sem conseguir, tirar uma foto, o que só aumentava o clima mágico da situação, pois aparecia todo o ambiente, menos ele, que já estava a quilômetros de distancia. Ela só foi finalmente tirada quando, lá pelas tantas, o motorista parou e o indiozinho entrou para recolher seu trocado! Mas, sem posar e sem nos dizer o nome, que ele fingiu não entender quando perguntamos.

Ninguém se importou em dar gorjeta, claro! O show que eles nos proporcionou certamente valeu muito mais que o dólar que colocamos em seu saco tecido a mao!



Escrito por Vanessa às 02h37
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Algo meio melancólica...

Estou postando de Cusco. Na segunda, vamos rumo a Machu Pichu. Assim que chegar em Lima, conto como foi a viagem e publico fotinhas Por enquanto, queria só contar uma historinha que aconteceu comigo ontem.

Passeávamos por uma dessas calcadas estreitissimas que tem perto da pousada quando nos deparamos com uma cadelinha em "pleno ato" com um vira-lata (!). Os dois sao, seguramente, “perros callejeros”, como dizem por aqui. Ou seja, cachorros de rua. Sem dono, sem teto, sem canto.

Ela nem reagia, até porque ele era maior. De longe, soltei um “tadinha”, totalmente cursi nessas ocasioes. Mas meu coracao partiu de verdade quando chegamos perto. Ela estava meio encostada no muro, com uma cara de doente, de cansada. Cara de fome. De solidao. Parecia uma crianca, a bichinha. No cio, nao tinha como fugir do que a naturaza lhe cobrava. Mas, seguramente, nao queria estar ali.

Na volta, horas depois, ela continuava no mesmo lugar. Encostada no muro do mesmo jeito. Com a mesma cara. O mesmo olhar. E o mesmo cachorro por companhia. Desta vez, ele nao estava sobre ela, mas do lado. Esperando a vez. Mais uma vez. Guardando-a dos outros, seguramente. Parecia um cafetao… sei, soa horrivel a comparacao, mas ela estava tao desamparada e ele tao cheio de vontade…

De madrugada, a pobre estava em outro canto, mas encostada igual. Exausta. Enferma. Com fome. Calada. Acuada. Ao seu redor, estava o mesmo companheiro da noite anterior e mais um. Um cahorro maior que o primeiro, mas educado, já que "cordialmente" esperava a sua vez. E ela, pasivamente, aguardava o próximo da fila…

Hoje nao a vimos mais. E eu nao parei de pensar nisso. Volto e meia me lembro da bichinha… E desta poesia da Elisa Lucinda:

AVISO DA LUA QUE MENSTRUA

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
As vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...

Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!

Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um viejo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.

Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?

Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
o que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

Escrito por Vanessa às 23h23
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"Como dois e dois sao quatro..."

Dia desses fiz aniversário de casamento. O Renato é super cuidadoso com essas datas e me levou para jantar num desses restaurantes chiques da cidade. Além disso, mandou fazer uma nova aliança, já que a minha eu perdi nas ferias em Paraty. Não me perguntem como e nem me digam que Freud explica. Foi um acidente, nada mais. Ou, quem sabe, confesso, uma boa razão para ganhar uma jóia nova!

Daí que escarafunchando posts antigos, lá da primeira casa do Peruposible, encontrei isso aqui...

 

Confissões de adolescente

Eu já era bem grandinha quando dei o meu primeiro beijo. Talvez tenha sido a última da turma. Antes disso, tinha namorado um colega de escola sem jamais tê-lo beijado. Ninguém sabia, mas desconfiava. Toda aquela pressão e o medo de não fazer direito e o medo de parecer ridícula, já sendo grandinha para o primeiro beijo e não ter beijado.

Ele era lindo. Romântico. Cantava em inglês no meu ouvido. E me beijava a orelha enquanto cantava. Mas não a boca. Não de língua. E acariciava minhas costas e era o máximo de sensualidade que nos permitíamos. E era bom. E toda aquela pressão para o primeiro beijo e até hoje me pergunto como ele pode ficar comigo por tanto tempo.

Conversávamos muito. Sobre poesia. Ele era poeta. Queria ser escritor. Talvez fosse isso. Bastava estar juntos, pegar na mão e falar de poesia. Ele era lindo. E me acariciava as costas. Numas férias de julho, com toda aquela pressão do primeiro beijo, terminei o "namoro". Ele aceitou. Mas não queria. Viu mais em mim do que eu mesma.

Aí veio o outro. Um que gostei e pensei que seria o único que amaria por toda a vida. O primeiro de uma série de amores para toda a vida! Não era poeta. Às vezes até era. Mas não dos bons. Gostava do Cazuza. Queria ser o Cazuza. Mas não era o Cazuza.

Um dia me pediu em namoro. Já houve um tempo em que éramos pedidas em namoro! E pedíamos tempo para pensar. Eu não pedi. Eu queria. E provávamos o amor beijando de língua. Menos eu. Eu não. Não podia. Não sabia fazer beijo assim. Como provar o que sentia? E eu sentia. Tanto que até confessei:

- Como posso namorar você se nunca beijei ninguém?
- Eu também nunca beijei você antes. Que será a primeira vez para nós dois...

Ele me beijou. E toda aquela pressão. E a língua na minha boca, finalmente. E me senti parte do mundo. Não namoramos, que ele amava outra. Ficou com ela. Preferiu a boca dela, assim mesmo com cacófato, que sou a dona da pena. Dele me esqueci. Nem do beijo me lembro direito. O primeiro a ser esquecido depois que a gente cresce.

E num bar em Vila Isabel, beijei o meu marido pela primeira vez. Ele queria. Eu também. E toda aquela pressão do primeiro beijo. E se ele não gosta do gosto do meu gosto? E enquanto ele beijava, a mão deslizava em minhas costas.

Sorri. Certas coisas nunca mudam...



Escrito por Vanessa às 22h41
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Édipo?! É ruim, hein?!

- Mateus, a mamãe te...?
- ... ama!
- E você ama a ...?
- ... Camila!

Eu mereço.



Escrito por Vanessa às 00h30
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