Prazer, meu nome é Mafalda!
Mafalda para a sua amiga, Liberdade:
- Aonde você vai de férias este ano, Liberdade?
- Nunca te falei da chácara da minha avó? Eu já fui lá uma vez. Tem uma vaca no curral, cavalos, galinhas e patos. Tem até coelhinhos... Tem tanta coisa! Tem também muitas árvores onde os pássaros cantam ao cair da tarde…Nossa, Mafalda, nunca tinha te contado nada disso?
- Não...
- Pois é. Parece que outra vez vamos morrer de tédio neste maldito lugar!
Li esta tirinha no jornal de hoje e morri de rir. Achei a minha cara! E olha que sou mocinha do interior, hein?! Vai ver é até por isso. Decididamente, não consigo ficar mais de uma tarde no campo.
Quando eu era criança, íamos muito na chácara dos meus avós, que naquela época parecia ser super longe da minha casa. Tinha um cajueiro enorme, que dava para subir até o alto como se fosse uma escada. Eu ia muito com meu primo e Marquinhos, meu irmão. Era legal. A gente brincava, comia fruta do pé e tudo mais. No entanto, quando dava a minha hora, ficava louca para ir embora. A possibilidade de dormir lá, sem TV, era terrível.
Na verdade, acho que eu não gosto mesmo é de passar muito tempo fora do meu canto. Nunca fui muito de dormir na casa de amigas, por exemplo, e, muitas vezes, quando pintava o convite, no íntimo eu ficava torcendo para que a minha mãe não deixasse.
Aliás, minto. Não é que eu não goste de dormir fora de casa. Não sou dessas que estranham a cama, o cheiro do lençol ou a maciez do travesseiro. O que eu não gosto mesmo é de ACORDAR fora da minha casa. Numa cama que não é minha, num ambiente que não é o meu.
A gente fica com aquela obrigação de acordar cedo, cabelo penteado, bem-composta e, argh!, de bom-humor! Não dá, né?! Quem no mundo, que seja normal, dono das suas faculdades mentais, possuidor de uma mente razoavelmente produtiva e criativa, acorda de bom-humor?!
Aliás, falando em Mafalda, sabiam que ela fez 40 anos este ano?! Parece que o Quino, seu criador, se inspirou em sua avó comunista, que tinha um grande senso de humor, para criar a personagem, que a principio era para uma campanha publicitária.
É até irônico pensar que a menina tão crítica tenha nascido como peca publicitária. De qualquer maneira, mesmo “aposentada” em 1976, ela continua aí, publicada em um monte de jornais e super atual...
PS: Ainda estou aprendendo a mexer nisso aqui. Portanto, nao tenho a menor ideia de por que as letras saem com tamanhos diferentes. Mistérios...
Escrito por Vanessa às 20h27
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Post em fascículos ou Enquanto isso, no Peru...
Neste domingo, o presidente peruano Alejandro Toledo, em mais um rompante que lhe é peculiar, telefonou indignado ao programa jornalístico “Cuarto Poder” por conta da veiculação de um vídeo que supostamente provava a falsificação de assinaturas que garantiram a criação do partido País Posible, posterior Peru Posible, que, diga-se de passagem, inspirou o nome deste blog!
No telefonema, Toledo, aos berros, acusava o jornalista que conduzia o programa de canalha e covarde por não ter procurado ninguém do Palácio do Governo para comentar a denúncia. Até aí, tudo bem. Muito embora, a maior autoridade política de um país não pode se dar ao luxo de certos pitis, correndo o risco de ferir sua imagem.
Não que o daqui se importe muito com isso, pois já protagonizou, junto com sua mulher (que já foi primeira página dando língua aos jornalistas) episódios ridiculamente constrangedores. Por essas e outras que sua popularidade, quando está em alta, não passa dos 13%...
O problema foi que, além de gritar ao vivo, depois de acusá-lo de covarde Toledo desligou o telefone na cara do jornalista, como uma noiva ofendida largada no altar. E, convenhamos, desligar o telefone na cara de alguém num programa ao vivo é agressivo não só com o apresentador, mas com o telespectador também.
Nesta terça-feira, alegando pressão por parte da emissora que exigia um pedido de desculpas ao mandatário, toda a equipe do “Cuarto Poder” e o Diretor de Jornalismo da TV América, que o transmite, apresentou sua carta de demissão. Na mesma terça, o presidente da empresa, José Antonio Miró Quesada, negou que tivesse havido qualquer tipo de pressão por parte dos diretores, assegurando que a independência dos jornalistas é garantida pelos princípios que regem o trabalho da organização.
A história ainda não acabou. Pode ser que tudo não passe de um blefe e que no próximo domingo o programa vá ao ar como se nada tivesse acontecido. Na próxima segunda-feira eu conto!
Escrito por Vanessa às 00h14
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No Peru, parte II...
O caso é que Peru Posible é mesmo uma sigla de chocadeira, criada na medida para sustentar a candidatura de Alejandro Toledo. O homem de traços andinos e de origem pobre é economista, fez doutorado em Stanford por meio de bolsas de estudos e aprendeu a falar inglês antes mesmo de dominar o espanhol, já que seu idioma de origem é o quéchua.
Ainda assim, ele é chamado pejorativamente de “Cholo”, por conta de suas características físicas e de origem. De qualquer maneira, Toledo poderia representar um recomeço para este país, depois de anos de ensandecido governo Alan Garcia (ou devo dizer: depois de anos de governo do ensandecido Alan Garcia?) e do corrupto Alberto Fujimori.
Lamentavelmente, não foi isso que se deu. Ainda que muitos o comparem a Lula, pela origem e coisa e tal, as comparações param exatamente onde começam. Além de carisma, Lula tem história, entende os problemas do Brasil e, sobretudo, é um animal essencialmente político.
Toledo, quase sempre, mete os pés pelas mãos. Parece que entrou na política pela portas dos fundos, já que se fez conhecido por aparecer vez ou outra na TV comentando economia. Além disso, acredito que ele esteve por tanto tempo afastado de seu país, que já o vê com olhos de estrangeiro, com um distanciamento tal que beira a esquizofrenia. Ele já disse, por exemplo, que os povos andinos, por manterem uma relação quase reverente com a terra (que lhe dá o sustento, para dizer o mínimo), são uns ignorantes e querem impedir o progresso.
E o homem estava falando de seus ancestrais diretos, hein?!
Escrito por Vanessa às 00h12
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No Peru, epílogo
De qualquer maneira, não é fácil para alguém como ele governar um país que já o desrespeita pela origem, de tão preconceituoso que é. Referir-se a ele como o “Cholo” é o mesmo que O Globo estampar na primeira página “O Paraíba Lula da Silva apóia a perua Marta Suplicy”.
O irônico é que para aqueles que tem dinheiro, não mais que 10% da população, o país vive um ótimo momento: a economia vai bem, a Bolsa de Lima é uma das mais lucrativas da América Latina, o dólar está relativamente estabilizado e o setor de construção civil está fervilhando. O que significa que as pessoas estão comprando imóveis.
E são eles os que menos apóiam o presidente. E todos sabemos que sem o apoio da classe média, não há governo que sobreviva.
O certo é que há dúvidas concretas se ele resiste até o fim do mandato, em 2006. Cada vez mais se pede a volta do Fujimori e alguns até propõem um certo “fujimorismo blanco”, que até agora não entendi o que é. Até o Alan Garcia, que arrebentou a economia do país e que faz o melhor estilo Collor de Melo (se é que vocês me entendem), tem chances de ganhar.
Até lá, fico eu usando emprestado o nome do partido toledista que, cá para nós, faz mais sentido em português que em espanhol, afinal Peru Posible soa perfeito para a brasucada sacana, que adora um duplo sentido. Já para os nossos amigos daqui, não sei não...
Escrito por Vanessa às 00h12
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Sapatinho de cristal
Ontem fomos assistir The Stepford Wives, com Nicole Kidman. Vocês já ouviram falar deste filme, que mostra como uma urbanização em Connecticut leva até as ultimas conseqüências o sonho de criar famílias perfeitas cujas mulheres estão sempre impecáveis e prontas para servir os seus homens?!
Tem uma que até tem orgasmos múltiplos com o marido no meio da tarde, vê se pode! Esta deve ler "Cosmopolitan" desde os 14!
Pois é. Uma família perfeita não pode ter nada menos que uma mulher servil, que berra quando goza, apesar do marido idiota. Assim, tentando reconstruir a sua, uma Nicole Kidman neurótica-com-um-corte-de-cabelo-ridículo parte para Stepford com o marido (Matthew Broderick) e os filhos depois de ser despedida da cadeia de TV especialista em reality shows que dirigia e quase assassinada pelo marido ofendido de um dos programas que produzia.
A cidade é perfeita, as mulheres são lindas, as casas deslumbrantes e o cachorro não suja a sala. Tudo saído de revista e blábláblá, que não vou contar o filme todo, né?! Até porque não tem muito mais do que isso mesmo. É bonzinho, tem também a Glen Close, Bette Midler e o Christopher Walken, mas é melhor alugar o vídeo e vê-lo em casa, num domingão tedioso.
O mais melancólico de tudo é o Matthew Broderick pós-30, meio fora de forma, com cara de pastel. Aí que a gente vê que o tempo passou mesmo. O cara era tão bonitinho em "Curtindo a vida adoidado" (e lá se vão bem uns vinte anos, né?!). O lado bom é que eu era criança quando esse filme estreou. O lado ruim é que eu já tinha nascido...
Surpreendentemente, em "The Stepford...", Nicole não está tãaaaaao magra. Acho esta mulher deslumbrante, além de boa atriz. Jeito de diva gélida, com um nariz impecável e porte de Grace Kelly. Mas, quem a viu em Dogville sabe que se continua nesse ritmo, ela será a Kate Carpenter do novo milênio.
Gente, se lhe empresto minha aliança, a mulher enfia no braço e usa como bracelete. Como será que ela faz, hein?! Come e vomita ou não come e pronto?! Vive de luz, como uns malucos que foram no Jô há um tempo atrás dizendo que se alimentavam apenas de luz e água. Nem o pãozinho que o diabo amassou podia entrar no binômio...
Mas, voltando ao filme, o Renato, que viu a primeira versão (é um remake), disse que este teve muitas concessões, claro. Bem típico dos novos tempos. Eu não me lembro se vi. Acho até que sim, porque tenho esta estranha lembrança de um final mais fatalista.
Bom, na de agora, mais "muderna", tem até um casal gay. O "homem" é um "conservador republicano", se me perdoem a redundância, que tem vergonha do seu parceiro emplumado e mariquinha. Eles vão morar em Stepford tentando salvar o casamento e uma estranha mudança ocorre na parte mais feminina da relação, que culmina com o moço botando fora todas as suas camisas de marca e a camiseta vermelha silkada com a foto do Viggo Mortensen ("Senhor dos Anéis", acho que é ele...)!
Pode se dizer que foi este foi o clímax do filme!
Mas, no final, o mistério é desvendado e pode se dizer que tudo acaba bem. O gay volta a ser fashion, Nicole a ser loira e Midller a ser feia...
Escrito por Vanessa às 16h12
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De amigos e sobre eles...
Há pouco tempo recebi um presente pelo correio. Já tinha recebido outro, de uma outra pessoa, que tinha me emocionado muitíssimo e, mais uma vez, me enchi de felicidade com o que chegou recentemente. Os dois vieram de gente que não me conhece pessoalmente. Gente que sabe de mim pelo blog e "indo com a minha cara" resolveu "falar" comigo por e-mail. Gente que virou amigo, compartilhando segredos e histórias de família, como se já nos conhecêssemos há tempos.
Bom, o presente que chegou por esses dias é A louca da casa, livro da Rosa Montero, escritora convidada da Festa Literária Internacional de Paraty. A pessoa quem o mandou disse que às vezes é perseguida pela estranha sensação de que coisas suas na verdade pertencem a outros. Assim foi com o livro. Ela o comprou e quando começou a ler o achou tão a minha cara que não teve outra opção se não me manda-lo, "devolvendo" algo que, segundo ela, por direito deveria ser meu!
Em primeiro lugar, essa lógica é tão poética e tão generosa que já é um presente por si. Quando comecei a ler, fiquei super envaidecida por ela ter se lembrado de mim com ele, já que se trata de uma escritora falando sobre escrever. Sobre essa necessidade imperiosa que todo escritor tem de transformar tudo em conto.
Estes dois amigos virtuais vivem me dizendo que eu deveria seguir os conselhos do marido e investir no oficio da escrita. Não sei. Continuo achando doloroso. Mas, juntando tudo, vou construindo um olhar muito especial sobre as coisas. E sendo chamada atenção quando deixo passar outras tantas...

Por exemplo, esses dias me lembrei do meu avo. O homem era todo um personagem, delicioso e profundo como um Guimarães Rosa e fantástico como um Garcia Márquez. Cada neto deve ter, no mínimo, umas 150 histórias para contar sobre ele. Multiplicando esse número por 835, dá para fazer uma coleção inteira da Barsa, com pelo menos cinco volumes de 500 páginas cada!
Me lembrei de uma, que talvez seja a mais profunda que conheço. A mais nova doss trinta filhos ficou grávida aos 18. Foi um trauma na família , que custou a aceitar a situacao com tranquilidade. Claro, estamos falando de algo que aconteceu há uns vintes anos, numa cidade do interior de Minas...
Meu avo, que já estava velhinho, era a maior preocupação. Mas, ele era um homem vivido, sabia das coisas. Ironicamente, foi o que melhor reagiu e, no final das contas, nunca emitiu nenhum juízo de valor sobre a situação. Só abriu a boca uma única vez, quando lhe comunicaram qual seria o nome da menina que nasceria: - Maíra, paizinho...
Maíra é um nome lindo realmente e estavam todos unânimes na escolha. Exceto o meu avo, que ouviu calado para, depois de cinco minutos, comentar: - Com o ambiente de tensão que vivemos nos ultimos meses, não acho que ela deva ser batizada com um nome que soma duas palavras que podem perpetuar esse clima: Má e Ira...
Eu realmente gosto deste nome e ninguém pode dizer que não é bonito, mas, naquele momento, quem poderia negar a lógica do "vozinho"?! Considerando o contexto, a observação fazia todo o sentido. E, assim, veio a Mariane!
Quando contei essa história, o amigo do primeiro presente me disse que só esse episódio já valia um livro. Aí, me lembrei do presente da outra amiga, que diz que não se pode falar de literatura sem falar da vida, e só pensei na sorte que tenho com esses dois na minha própria. Certamente, personagens da obra pessoal que ainda não escrevi...
PS: Uma curiosidade: eu jurava que Maíra era um nome indígena. Pois é, me enganei. É árabe e significa "inteligente". Já Mariane, corruptela de Mariana, indica inteireza de ânimo e espírito aberto. Preocupam -se como os demais na medida em que deles necessitam e, em geral, são pessoas receptivas.
Escrito por Vanessa às 22h54
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ô velho amigo me perdoa, por favor...
Fui no correio hoje mandar uma encomenda antiga para um amigo. Desde março junto coisa para ele e quando pus o envelope na balança quase cai para trás. Ia sair uma fortuna. Fui tirando coisa até atingir os 500 gramas correspondentes ao que eu tinha na carteira para pagar. Foi mal, amigo, mas tive que sacrificar meia dúzia de coisinhas...
No entanto, não se preocupe, só tirei supérfluo (!!!). Primeiro, o convite de um evento que já passou, que eu só estava mandando por causa da foto da capa, que era realmente bonita. Depois, um papelzinho que tinha quatro gramas (!!!) e que fez a maior diferença no valor total. E, finalmente, tirei a carta de duas páginas que eu tinha escrito.
É até irônico, porque eu começo falando que há muito tempo não escrevia cartas, ainda mais depois do email, para no final não mandá-la de qualquer jeito. Bom, mas já que não deu para mandar, publico aqui para que você não perca (quase) nada do que continha no enorme envelope branco que seguiu hoje para o seu endereço:
Lima, 30 de setembro de 2004.
Olá, Há muito tempo não escrevo cartas. Depois do email, então... Mas, hoje, sabendo que iria ao correio, me animei!
Por aqui, o tempo começa a mudar. Já é possível ver um solzinho durante o dia, ainda que continue frio a noite.
O Renato diz que sou exagerada, que não faz tanto frio assim, mas ontem, num parque com o Mateus, tive que me esconder no carro, tiritando que estava. E olha que eu usava um casaco de couro sobre uma blusa grossa de algodão!
De qualquer maneira, a presença do sol já provoca mudanças de humor. Ao menos do meu! Lima é apelidada de "La fea" por seu eterno gris invernal. Apesar da alcunha nada "halagadora", a impressão que tenho é a de que, no fundo, os limenhos gostam desta melancolia.
Eu não. Me afeta, "pero no mucho", admito. De qualquer maneira, fico muito mais feliz com o sol brilhando lá fora. Já estou até bejezinha, saindo do amarelo quase branco que me confunde com a parede da sala! Só não deu ainda para botar pra fora os dedos do pé. Isso só será possível em fevereiro, quando chegarmos do Brasil com a bolsa cheia de havaianas, um par de cada cor e para cada dia da semana, que sou perua, né?!
Estou com saudades dos meus pais e eles de mim. Minha mãe espera minhas ligações semanais com angustia e uma certa tristeza. Ainda bem que já estamos em outubro.
Bom, cansei a munheca!
Beijos, Vanessa
Escrito por Vanessa às 22h52
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