"Malandro é malandro e mané é mané"
Lá na Rua de Benguela, em Luanda, tem uma loja de móveis laqueados e espelhados para a sua casa nova e escritório. O estabelecimento é apresentado como moderno e na moda, oferecendo, inclusive, projetos específicos para clientes preferenciais.
O mais singelo é que a fachada da loja tem um toldo verde cobrindo uma porta de madeira que abre e fecha dos dois lados. Ao lado, uma casa de muro baixo com meio portão branco parece as que ainda podemos encontrar em Pirapora. Para completar, se não estou enganada, a rua nem asfalto tem.
Ah, gente, achei fofo! Estamos tão acostumados a só ver estabelecimentos majestosos e cheios de néon nas propagandas de TV, que a dessa lojinha, narrada em off com sotaque e tudo, na Globo, não tem um quê de "Davi e Golias"? Claro, estamos falando da Globo Internacional, onde a loja de Luanda compartilha espaço com o realmente bagaceira Roberto Trevisan e seu forrozinho de meia-tijela. Mas, sei lá, é TV, né?! E passa num monte de lugar...
To sendo babaca? Ou, pior, preconceituosa às avessas? Como nas vezes em que a gente acha que sente empatia pelo coitadinho, quando na verdade é pena? Espero que não, porque, sinceramente, adoro quando o magricela atua na mesma arena onde só o parrudo aparecia.
Essas coisas sempre me lembram de uma cena que presenciei quando criança e da qual nunca me esqueci. Voltava da casa dos meus avós e, enquanto cruzava a rua, vi um vira-lata marrom fugindo de um bando de outros cães, também vagabundos e ávidos por uma boa e covarde briga: afinal, eram uns cinco vira-latas raivosos perseguindo um único pobre coitado - que, na certa, tampouco era boa bisca. Ali ninguém era santo, certamente. Mas, cinco contra um é sacanagem. Sempre!
Claro que como toda gang de respeito, eles eram bravos, mas estúpidos, já que nenhum viu "o solitário" se esconder atrás do portão da casa da esquina, que estava entreaberto. Ele só ficou com um pedaço da cabeça de fora, esperando que os latidos de seus algozes se afastassem cada vez mais de onde estávamos (sim, porque aquela altura eu já tinha me encostado no poste para não perder um minuto da cena).
Uns cinco minutos depois, o marronzinho meteu toda a cabeça para fora e, juro, olhou para os dois lados umas quatro vezes. Ao verificar que a barra estava limpa, saiu do esconderijo e foi-se embora, todo serelepe, com a cauda levantada. Parecia até que trotava pelo tamanho da arrogância!
Quase aplaudi! Só não o fiz porque estava sozinha e além do mais tinha dez anos. Mas, o episódio foi meu assunto por dias e acho até que tema de redação! Aliás, mais do que isso, foi uma verdadeira lição de vida: quando não der para encarar, não tem problema se esconder atrás do portão esperando a matilha passar.
Mas, nunca, jamais se esqueca de levantar o rabo ao sair. Afinal, o caso aqui não é de valentia. É de dignidade. ;-)
Escrito por Vanessa às 02h35
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Bobagem legal...
Acho até que a piada é velha. Mas, recebi hoje e achei legal. Clique aqui (http://istoe.terra.com.br/gentedinamica/aniversario/index.asp para o caso de o lnk nao funcionar) e depois de responder duas perguntinhas (nome e data de nascimento), dá para saber o que rolava no mundo no dia em que você nasceu.
No meu caso, a boa noticia parece ter sido só o meu nascimento mesmo (ai, ai), já que naquele ano bombas de Napalm matavam crianças no Vietnam e atletas olímpicos morriam nas mãos de terroristas em Munique. Dois episódios emblemáticos da década de 70.
Bom, o consolo é que, enquanto isso, no Brasil, explodiam as músicas "Expresso 222", do Gilberto Gil, "Águas de Marco", com a Elis e "Fio Maravilha", do Benjor. É, até que não estávamos tão maus, né?!
Escrito por Vanessa às 02h27
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Não gostei, não gostei...
Já acabei de ler "Memórias de mis putas tristes", do Garcia Marquez. Na verdade, já tinha terminado há uns bons dias e estava esperando passar minha primeira impressão antes de comentar. Pois é, não passou. Frustrante.
Tá, tá, vou ler de novo. Até porque tem um monte de expressão que eu não conhecia e na hora não quis parar a leitura para procurar o significado. Seguia o fluxo. Mas, me conheço, quando é assim só piora...
Claro, tem uma coisa no livro que adoro. Um certo lirismo, sem perder a crueza, e de como o personagem vai renascendo pelo amor quando deveria estar morrendo pela idade. Sem falar das várias referencias que, para variar, a gente encontra relacionadas a outros livros do autor: "Cem anos de solidao" no final (esta é até bem óbvia) e "Erendira", por exemplo. Além da capa, com aquele velhinho de cabeça branca, caminhando (pra onde?!) meio curvado. Igualzinho ao meu avo. De chorar.
Mas, ao mesmo tempo, tem algo que não me emocionou. Talvez a falta de anti-climax ou, no final, uma certa obviedade. Enfim, fechei o livro e dei graças a Deus. De repente, foi isso: fiquei procurando aquela excitação que sinto quando termino um Gabo e tenho vontade de ler outra vez, como em "Cem anos..." e "Crônica de uma morte anunciada". Que pena.
Aliás, falando em ler...
"Código da Vinci" está há séculos na prateleira me olhando. Como a capa é vermelha, chamava a atenção e volta e meia o meu olhar cruzava com o dele. Mas, sempre o ignorei solenemente. O caso é que para onde vou, no mundo virtual, alguém fala ou já falou do livro. Parece perseguição.
Quando fechei as "Putas Tristes", catei "Da Vinci" da prateleira. - Bom, vamo´ lá. Vamo´ ver do que ta todo o mundo falando... - pensei.
Mas, não deu. Nem abri. Preferi ler o jornal. Ah, gente, não gosto deste tipo de livro. Sinto muito. Vou mesmo ficar de fora dos debates. Agora dá licença que vou continuar minha incursao por Florbela Espanca...
Escrito por Vanessa às 17h12
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Momento Ellen DeGeneris
Hoje estou totalmente apaixonada pelo meu umbigo. Pelo meu e o de todas as mulheres do mundo: as boas, as más, as simples, as tímidas e até as arrogantes, minhas preferidas!!!
Hoje estou totalmente sapatão. E ponto final.
Mais Alto
Mais alto, sim! mais alto, mais além Do sonho, onde morar a dor da vida, Até sair de mim! Ser a Perdida, A que se não encontra! Aquela a quem
O mundo não conhece por Alguém! Ser orgulho, ser águia na subida, Até chegar a ser, entontecida, Aquela que sonhou o meu desdém!
Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível Turris Ebúrnea erguida nos espaços, A rutilante luz dum impossível!
Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber O mal da vida dentro dos meus braços, Dos meus divinos braços de Mulher!
Tortura
Tirar dentro do peito a Emoção, A lúcida verdade, o Sentimento! -- E ser, depois de vir do coração, Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso de alto pensamento, E puro como um ritmo de oração! -- E ser, depois de vir do coração, O pó, o nada, o sonho dum momento...
São assim ocos, rudes, os meus versos: Rimas perdidas, vendavais dispersos, Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!!
As duas poesias são de Florbela Espanca, poeta portuguesa, natural de Vila Viçosa (Alentejo). Sua poesia caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico.
Mais Florbela aqui, aqui ou aqui
Escrito por Vanessa às 01h51
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Manifesto de apoio ao desarmamento
Na semana passada, depois de quase duas horas no supermercado, solicitei o serviço de entrega a domicilio que o local oferece. Já em casa, conferi peça por peça e, claro, estavam faltando alguns itens. Poucos, mas meus e pagos! Na mesma hora, o "encarregado" ligou para o supermercado, que me garantiu que no dia seguinte tudo estaria em casa. Dois dias depois e nada. Liguei, briguei, xinguei. As dez da noite, o resto das minhas coisas chegaram.
Esse tipo de situação pode acontecer em qualquer lugar. Já enfrentei algumas muito mais estressantes em mercados brasileiros, onde, diga-se de passagem, o atendimento está bem longe da amabilidade que encontramos aqui. Meu ponto é outro. Por que temos que gritar, espernear, xingar para termos bons serviços, bons atendimentos, respeito, enfim?! Esse tipo de reação nos embrutece. O que mais me preocupa não é o estresse em si, que é suficiente, claro. É, sobretudo, no tipo de pessoa que vamos nos transformando com esse comportamento.
A gente vai ficando impaciente, intolerante, sem humor. Vai perdendo a capacidade de rir do ridículo e de não levar a sério aquilo que não merece ser levado a sério. E que, convenhamos, é a maior parte do que acontece em nossa vida.
Não quero ter passar o tempo inteiro armada, pronta para luta. Não quero ter resposta pra tudo, argumento pra tudo, prova de que tenho razão. Não quero ter a sensação de que estão querendo me enganar o tempo inteiro e que por isso tenho que me antecipar ao outro, sendo mais esperta, mais agressiva ou sei lá mais o quê...
E olha que aqueles que me conhecem razoavelmente bem sabem que sou "picona", como se diz por aqui. Ou seja, sou do tipo que se pilha rapidinho, rapidinho. Mas, não sei, mesmo com a razão, tenho achado a grosseria de péssimo gosto, para dizer o mínimo. Claro que estou falando das situacoes comezinhas, tolas, cotidianas que, no final das contas, só servem mesmo para tirar nossa energia para as que realmente valem a luta.
Quando eu era adolescente, com a cara cheia de espinhas, uma vez ouvi da minha mãe que aquilo não era só coisa da idade, mas também reflexo do meu mau-humor quase constante na época. Volto e meia me lembro disso e nos últimos dias resolvi assumir essa filosofia em minha vida. O bonito é que estou me parecendo cada vez mais com as mulheres da minha família, incluindo a minha mãe, que encara com humor até as agulhadas no braço esquerdo...
Coincidencia ou nao, posso dizer com segurança e orgulho que nos últimos dias minha pele nunca esteve tão boa. Ou foi a desaceleração ou o "Chronos para mulheres com mais de 30"!
Escrito por Vanessa às 01h37
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"Diário com as almas do purgatório"
Um dia, depois de comungar, a "donada" Ursula de Jesus recebeu a visita do espírito de um vice-rei que pedia que ela rogasse a Deus piedade para sua (dele) alma. Comovida, Ursula se comunicou com Cristo, que lhe contou que suas súplicas seriam inúteis, já que esta "nobre" alma penada pagava no purgatório os intensos maus-tratos que infligiu aos seus escravos enquanto esteve vivo.
Nascida em Lima em 1604, a escrava Ursula, que possuía especial devoção pela Virgen del Carmen, ingressou aos 13 anos no convento de Santa Clara para servir à sobrinha de sua dona. Naquela época, para as mulheres negras, a única possibilidade de ser freiras era fazendo os votos simples de obediência e reclusão como "donadas" ou criadas de Deus, cumprindo as extenuantes tarefas domésticas da instituição. Durante 28 anos, a escrava foi uma delas, cujo regime de trabalho não dava tempo algum para contemplar com seriedade os assuntos religiosos.
Em 1642, depois de apelar para a Virgen del Carmen, Ursula escapou milagrosamente de morrer num acidente terrível numa cisterna profunda e mal fechada. Este acontecimento mudou a sua vida, pois a partir daí, a mulher passou a acreditar que tinha uma missão divina na terra e rezava todos os dias pedindo a Deus que indicasse o seu destino. Começou então a experimentar visões, descuidando de suas tarefas cotidianas e irritando a sua dona.
Desgostosa, ameaçou sair do convento, ao que uma freira, temerosa de que a instituição perdesse uma talentosa visionária, comprou sua liberdade. Ursula, cuja principal habilidade divina era interceder em favor dos espíritos presos no purgatório, durante vinte anos se familiarizou intimamente com o mundo interior das almas penadas, que começaram a se comunicar com ela por acreditarem que suas orações podiam aliviar suas dores e sofrimentos.
Salvar almas brindava a ex-escrava a oportunidade de efetuar obras de caridade e de alcançar uma autoridade que jamais conseguiria em outras circunstancias. Das muitas que apareceram expressando gratidão, uma delas foi a da também escrava Maria Bran, que assegurou que as negras e as "donadas" iam ao céu, como todos os outros. Para Ursula, este fato confirmava seu conceito de que o paraíso era um espaço onde prevalecia a justiça social. Não à toa, pessoas como o nobre do começo de nossa história, que maltratavam brutalmente seus escravos, eram severamente castigadas e sequer perdoadas.
Ursula faleceu em 1666 e seu funeral reuniu a mais alta estirpe da Lima colonial que rendeu homenagens fúnebres a uma mulher que, pela sua condição racial, teria como destino nada além que a escravidão. A "donada" deixou um diário no qual anotava seus pensamentos mais íntimos, já transcritos para o espanhol e traduzidos ao inglês, contando desde segredos das almas de nobres e religiosos pecadores até suas impressões sobre o cotidiano no convento.
Aliás, por terem sido escritos em um convento, os textos de Ursula de Jesus sao considerados, atualmente, como os mais representativos da perspectiva feminina da Lima colonial. Isto porque, ao contrário da prática comum daquela época, nao sofreram o filtro de maridos, confessores e censores.
As informacoes que serviram de base para este texto foram obtidas pelo Google ou baseadas em um artigo publicado no suplemento de cultura do jornal El Comercio.
Escrito por Vanessa às 00h28
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E a porrada, de onde vem?!
Na sexta, fizemos uma reunião aqui em casa. Alguns amigos, vinho e papo furado. Um dos temas da noite foi o palavrão. Eu contava que ao me mudar para São Paulo levei o maior choque porque minhas companheiras de trabalho não falavam nada de palavrão e ainda se horrorizavam quando eu soltava um singelo "sacanagem".
Era chato, quase estranho. Logo comigo, recém saída de uma temporada de dez anos no Rio, onde para cada frase de cinco palavras, duas ou três são de baixo calão! E dá-lhe "porra, caralho, fudeu e foda-se!" para definir coisas boas e outras nem tanto!
Aí, ontem, por coincidência, escarafunchando os arquivos do Tutty, encontrei uma crônica na qual ele comenta sobre o "merda" exaltado que o Caetano soltou, com toda a propriedade, para a sacanagem que a MTV aprontou com ele na entrega do premio Vídeo Music Brasil. Aliás, piti esse que o João Gordo chamou, apropriadamente, de "chilique de atitude". E o Renato também me mostrou um artigo ótimo atribuído ao Millor que correu mundo internético afora defendendo que o "direito ao´foda-se!´ deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Foda-se."
Ou seja, hoje em dia, o quente mesmo não é só falar palavrão, é falar DE palavrão!
Daí que, pensando sobre o tema, me dei conta de que caso estranho é o da "buceta". Por que será que "buceta" só é permitido na Colômbia?! No Brasil, além de não a falarmos impune e tranqüilamente, a gente ainda tem que engolir (ops!) o fato de que tudo o que é bom é "do caralho" ou, em sua variação abreviada, "duca".
Será machismo ou boiolagem?
Nesta mesma linha, se por aqui Peru (vixe!) é nome sério, pinga não. Vocês sabem, se falo isso, perigo ouvir: "¡qué mujer lisurienta, carajo!". Sim, porque, mais uma vez, "carajo" pode! Assim como "culo". Enquanto aí na terra pátria, o de bêbado não tem dono, o daqui já foi até manchete de jornal. Bom, mas se em espanhol Peru é com acento (Perú), bobagem minha me horrorizar com um "culo" de fora, né não?!
Considerando o fato de sou da terra onde quem tem sorte nasceu com ele virado pra lua, seria até hipocrisia da minha parte. Feio mesmo é "merda" (ou "mierda"!), confirmando a teoria que diz que o mal não é o que entra pela boca, é que o sai...
Finalmente, coisa séria que aprendi na conversa de sexta-feira foi que, ao contrário do que eu pensava, ofensa gravíssima não é "la concha de tu madre", variação de "buceta" mas com a mãe no meio. Feio mesmo é o sem-graça "may".
Os dois têm o mesmo significado, mas com o primeiro, o camarada ainda pode responder: "la tuya"! Já com "may", esse miadinho ridículo, não dá nem para sair na porrada (que, aliás, vem de porra, me ensinou a mãe de uma amiga quando eu tinha dez anos de idade! Eu acreditei, afinal ela adorava o Abba, devia entender do riscado...).
De qualquer maneira, o meu preferido ainda é o "puta merda", que falo se o gosto é bom ou salgado (hei, hei, não foi isso que eu quis dizer!!!). Mas, nem dá barato, já que por essas paragens, mais uma vez, a interjeição só assusta se a puta for a mãe...
Escrito por Vanessa às 01h47
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Colírio para os olhos...
Seu Jorge (aqui é um link, tá?!)

Preciso explicar?
Escrito por Vanessa às 03h23
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