Meu humor



Meu perfil
BRASIL, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish, Cinema e vídeo, Livros



Arquivos
 25/09/2005 a 01/10/2005
 21/08/2005 a 27/08/2005
 14/08/2005 a 20/08/2005
 07/08/2005 a 13/08/2005
 31/07/2005 a 06/08/2005
 24/07/2005 a 30/07/2005
 17/07/2005 a 23/07/2005
 10/07/2005 a 16/07/2005
 03/07/2005 a 09/07/2005
 26/06/2005 a 02/07/2005
 19/06/2005 a 25/06/2005
 12/06/2005 a 18/06/2005
 13/02/2005 a 19/02/2005
 06/02/2005 a 12/02/2005
 30/01/2005 a 05/02/2005
 23/01/2005 a 29/01/2005
 16/01/2005 a 22/01/2005
 02/01/2005 a 08/01/2005
 19/12/2004 a 25/12/2004
 12/12/2004 a 18/12/2004
 05/12/2004 a 11/12/2004
 28/11/2004 a 04/12/2004
 21/11/2004 a 27/11/2004
 14/11/2004 a 20/11/2004
 07/11/2004 a 13/11/2004
 31/10/2004 a 06/11/2004
 24/10/2004 a 30/10/2004
 17/10/2004 a 23/10/2004
 10/10/2004 a 16/10/2004
 03/10/2004 a 09/10/2004
 02/05/2004 a 08/05/2004

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 Trovas & Trombos
 Conversa de Amigos
 ¡Ay, Caramba!
 Sindrome de Estocolmo
 Espaco Ka
 Acaso e Caos
 Zero Grau
 Qualquer Coisa
 Novos Horizontes
 Depois dos 20
 On the Moon
 Balzac Blog
 Homem Chavao
 Os Potchokos
 Diário de Lisboa
 Borboletinha Azul
 Peruposible antigo
 Peruposible mais antigo ainda
 Andrea Nery
 Maitena - cartunista argentina
 Bessa
 Feminina
 Terraavista
 Ragazzo de Familia
 Crentes dos infernos
 Barbara Taz
 Jucier Souza
 Ceica
 Diorela
 Bianca, minha xará!
 Leo Jaime
 Blog da Diane - irma da Si!
 Querido Leitor
 Luca in Manhattan
 Diario de um taxista
 Noblat
 Coisas de tio
 Um dia normal
 Gustavo Duarte
 Dois Córregos
 Rosa na Holanda
 Companheiro Maikel
 Nora Borges
 Encontros do Cotidiano
 O primeiro blog de uma ONG no Brasil
 Projeto Aprendiz
 Instituto Ayrton Senna
 Fundacao Abrinq
 Porta Curtas
 Unicef
 Organizacao Internacional do Trabalho
 Crianca Segura
 Mundo pequeno





PeruPosible
 


Susana Baca

Assim que nos mudamos, todas as pessoas nos diziam que, para aclimatarmos por aqui de fato, antes mesmo de conhecer Cusco, deveríamos conhecer Susana Baca. Ela nasceu em Chorillos, bairro beira-mar onde vivem, tradicionalmente, os descendentes afro-peruanos e sempre foi rodeada por música: o pai era guitarrista e a mãe bailarina. Suas tias cantavam no melhor estilo Aretha Franklin e os vizinhos foram os criadores do grupo "Peru Negro" (sem trocadilhos, please!).

Não poderia ser outra coisa que não cantora, claro. Mas, além de tudo, Susana é uma estudiosa da cultura negra peruana. Para se ter uma idéia, possui uma vastíssima biblioteca sobre o tema e provavelmente é a única por aqui. É bem famosa na Europa e Estados Unidos e muito deste sucesso se deve a David Byrne, que a lançou para o resto do mundo. De qualquer maneira, antes mesmo dele, Chabuca Granda, também afro-peruana, autora de "Fina Estampa" (gravada por Caetano Veloso) e "La Flor de la Canela" (que eu simplesmente amo!), tratou de convertê-la em sua sucessora tanto na arte quanto na vida. E parece ter conseguido.

Junto com o marido, o sociólogo Ricardo Pereira, Susana recorreu os 600 quilômetros da costa peruana recolhendo testemunhos e documentos de povos com ascendência negra. Após onze anos de pesquisa, o resultado deste trabalho se converteu no livro "Del fuego y del água", publicado em 1992. Três anos depois, o casal criou o Instituto Negro Continuo cujo principal objetivo é o de manter viva a tradição afro-peruana.

Definitivamente, os amigos do Renato estavam certos, pois tão deslumbrante quanto Machu Pichu, é Susana Baca. O primeiro show que assistimos da cantora foi mágico. Ela estava com um vestido de seda creme e nada nos pés. Totalmente etérea. Parecia uma fada. Ao mesmo tempo, a delicadeza de sua figura e de sua voz não lhe tiraram a altivez de rainha. Impecável.

Em 2002, ganhou o grammy latino pelo CD "Lamento Negro". A obra, que foi gravada em 1986 e editada anos depois (sem o seu consentimento, diga-se de passagem), é uma coleção com letras de poemas de Pablo Neruda, Alejandro Romualdo, César Vallejo, César Calvo e música de Chabuca Granda. Ironicamante, mesmo com toda sua trajetória, somente depois do grammy a cantora passou a ser conhecida e respeitada em seu próprio país. Mas, isso é outra história.

Atualmente, está iniciando um projeto de compilação de músicas negras com temática religiosa. Vimos uma amostra outro dia e posso adiantar que é de arrepiar. Nos dias 4 e 5 de dezembro ela estará em Paris, a convite da Unesco, participando do encerramento das atividades do Ano Internacional da Abolição da Escravatura. Além disso, em janeiro, Susana lança no Brasil um CD com Gilberto Gil. A boa noticia é que estaremos no país nesta época! Mas, a boa nova verdadeira (pela proximidade do fato) é que hoje mesmo vamos em outro show, no qual ela qual vai experimentar alguns arranjos e novas canções. Prometo que volto e conto como foi!

Aqui, um pequeno exemplo do que estou falando...

UPDATE: Susana Baca juntou-se com artistas de todo o mundo, como Bono, Alanis Morrissette, Michael Stipe (REM) e Antonio Banderas, em uma campanha contra o dumping, aquela prática comercial injusta feita pelos países ricos, que inundam os países mais pobres com produtos a preços subsidiados. O fotógrafo Greg Williams, famoso entre as estrelas de Hollywood, viajou pelo mundo tirando fotos destas celebridades associadas a produtos específicos, no caso de Susana a relação foi com o algodão. A campanha foi publicada hoje na revista Somos, do principal jornal de Lima, e neste domingo sai nas revistas Life, El País Semanal e The Observer. A campanha é promovida pela ONG Oxfam Internacional. Veja todas as fotos aqui.



Escrito por Vanessa às 01h46
[] [envie esta mensagem
]





O Homem é o único animal que se diferencia dos demais por agredir as suas fêmeas
Jack London
 
Há uns dez anos, mais ou menos, a casa dos meus pais foi invadida por um larápio já conhecido na vizinhança. O cara era ladrão de galinha e aquilo que roubava era usado para comprar droga. A diferença é que, desta vez, ele estava armado. E atirou. Na hora dos disparos, minha mãe gritou, assustada, avizando o meu pai que o perseguia pela rua afora. Graças a Deus, ninguém foi atingido e o cara foi preso no dia seguinte.

Também no dia seguinte, enquanto contávamos toda a história para a vizinha, ouvimos um comentário emblemático:
- Bem que eu ouvi mesmo. Na hora dos tiros, minha mãe até falou: "vamos ficar aqui quietinhas, filha, que parece que é briga de marido e mulher. Melhor, a gente não se meter..." .

Como elas ouviram o grito desesperado da minha mae e logo depois um disparo, pensaram que era uma briga de casal que tinha acabado em tragédia. Aí, eu pergunto: e se tivesse sido? E se a pobre da dona Alice estivesse realmente precisando de ajuda porque corria risco de morte? Elas nem se dignaram a chamar a polícia, gente, levando até o fim a máxima que diz que em briga de marido e mulher, não se mete a colher.

Pois é, se as coisas tivessem acontecido como elas imaginaram, a essa altura, minha mãe seria, no máximo, uma estatística. Mais um exemplo de violência doméstica contra mulheres. Mais um retrato da conivência de amigos e familiares com a situação. Porque quem vê ou sabe e não denuncia, é cúmplice. E não é só violência de maridos contra esposas. Falo também daquelas cometidas por pais contra filhas e até de irmãos contra irmãs. Além das que ocorrem em situações extremas, como as de rua (estupro, por exemplo) e guerras.

E os números sao alarmantes: pelo menos uma em cada três mulheres sofrerá algum tipo de violência sexual durante sua vida. Segundo a Anistia Internacional, na maior parte dos casos, o agressor é ou será algum parente ou conhecido da vítima. 

Hoje, 25 de novembro, é o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. A data foi escolhida no 1º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em Bogotá, na Colômbia, em 1981, em homenagem às irmãs revolucionárias Mirabal - Patrícia, Minerva e Tereza, presas, torturadas e assassinadas em 1960 a mando do ditador da República Dominicana Rafael Trujillo.

A responsabilidade de fazer com que esta data não seja apenas uma referencia no calendário é nossa.



Escrito por Vanessa às 17h04
[] [envie esta mensagem
]





Llaqtaypa Harawin

O quéchua é, hoje, uma língua falada por mais de cinco milhões de peruanos. No entanto, o país oficial não reconhece esta realidade. Os projetos nacionais e, inclusive, os desenhos da educação nacional omitiram os chamados idiomas autóctones, como se fossem um obstáculo ao progresso e a modernização. O presidente Alejandro Toledo até que tenta, desenvolvendo um questionado e enviesado projeto de valorização da cultura andina. O caso é que, na prática, as ações capitaneadas pela primeira-dama são absolutamente caricaturais, transformando a maravilhosa história desde país num pastiche para inglês ver.

 

Na vida real, esse desprezo se reflete nos sérios problemas legais que enfrentam a maioria dos “quechuahablantes”: por exemplo, o atendimento jurídico é inócuo porque advogados e clientes literalmente não conseguem se entender. A justiça pública não ocorre como deveria por preconceito, falta de interesse, desinformação. Conheci uma menina de 16 anos que estava internada num Centro Correcional sem nem ter entendido o delito que cometeu.

 

Por só falar quéchua, ela não conseguiu se explicar (serviu de “mula” para os patrões, crente que levava e seu farnel um frango inteiro e umas espigas de milho) e acabou condenada a dois anos de internamento. O mais angustiante é que ela cumpriu grande parte deste período sem entender uma vírgula do que lhe diziam, aumentando mais ainda seu isolamento e perplexidade.

 

Quando se mudam para Lima, tratam logo de aprender o castelhano e muitos preferem esquecer seu idioma de origem. Ainda assim, a maioria passa a vida inteira servindo de chacota por seu espanhol chiado de cholo (algo assim como um carioca falando qualquer idioma! Aliás, muitos já disseram que o Renato fala espanhol como um “quechuablante”). Até o presidente Toledo sofre o mesmo tipo de preconceito. Sobretudo porque ele aprendeu inglês antes mesmo do espanhol, quando foi estudar em Stanford, e volta e meia mistura os três idiomas em seus pronunciamentos, criando verdadeiros neologismos.

 

O que se diz é que é difícil perpetuar idiomas indígenas porque são essencialmente orais, não possuindo, historicamente, uma tradução escrita. Além disso, muitas palavras podem ter vários significados, dependendo do contexto e, principalmente, da entonação. Mas já há uma corrente que diz que isso não é argumento. É preconceito, usado para justificar a eliminação do quéchua no currículo escolar

 

O caso é que há umas três semanas, a Microsoft anunciou que vai lançar uma versão do windows em quéchua para ser usado nas províncias e pequenos povoados. Coisa, aliás, que faz todo o sentido já que é possível encontrar uma cabine de internet em qualquer canto desse país. Tem uma propaganda da Telefônica que diz que aqui tem mais cabine que chifa. Mal comparando, é o mesmo que dizer que no Brasil tem mais ciber café que botequim.

 

Deve ser mesmo verdade, pois a Microsoft não daria ponto sem nó, certo?

 

Além disso, é possível encontrar nas Universidades um interesse genuíno de resgate da literatura quéchua. No sábado passado, comprei um exemplar de “Poesia de mi pueblo” (tradução do título deste post, que tomei emprestado da obra). O livro compila poesias em quéchua com tradução em espanhol. A maioria trata de coisas da natureza, morte e amor. Temas simples como a própria vida. Palatáveis e reconhecíveis. Selecionei uma das que considero mais linda. Veja a original em quéchua e a tradução para o espanhol aqui. Ainda que seja impossível entender e até mesmo ler sua versão em quéchua, vale pelo valor estético. As letras parecem dançar em nossos olhos...

Escrito por Vanessa às 04h07
[] [envie esta mensagem
]





Espero não ser processada...

Adoro literatura de cordel e embora minha coleção ainda seja bem tímida, até já tenho o meu preferido: "A Chegada de Lampião no Inferno". Maravilhoso. Daí, que pretensiosa que sou, tentei fazer alguma coisa na mesma linha. Compartilho com vocês o monstrinho que saiu. E por favor, não sejam rígidos na crítica, foi só uma brincadeira...

A lenda de Fulam Nefasto, o homem do nome ao revés, e o roubo do dinheiro da quermesse

Um homem chamado Fulam
De grande personalidade
Deu para raspar os óculos
Quando falava inverdades

A lente ficava turva
E o lenço cheirando a budum
Mas, Fulam não fazia caso
Pois mais suja é sua cabeça
E não há aquele que esqueça
Que ele disse, em certa data
Que um homem com desejo
Viola, estupra, mas não mata

Fulanito, seu rebento
Também era porcalhão
Pois do pai ele aprendeu
A gostar do que não é seu

Por isso que um belo dia
Com a idéia de enricar
Os dois juntos, pai e filho,
Cumpriram a feia missão
De levar juntos para casa
Sem que ninguém visse e soubesse
A sacola de cruzeiros
Do dinheiro da quermesse

O que eles não esperavam
É que Golondrina
Mulher e mãe
Encontrou toda a fortuna
E como boba não era
Logo quis participar
Pois sabia que Fulam
Poderia lhe lesar

Pois o próprio Fulanito
Já tinha lhe vendido
Pelo menos duas vezes
A mando, a conselho do pai
Quando por ali passava
Um caixeiro viajante
Que trocou suas pastas d´água
Pela mulher elegante

Pena que o tal caixeiro
Não era de muita saúde
Ficou com a mulher três dias
No quarto morreu de infarto
Enquanto a pobre chorava
Na cama grande do quarto

A segunda foi bem pior
Pois o filho lhe mentiu e não disse para ninguém
Que o negócio era no circo
E para o domador de leão
Vendeu a mãe à prestação
Com juros de 20 por cento
No caso de devolução

Ela agüentou de tudo
Fome, chuva, fedentina
E quando voltava da feira
Cansada e com dor nas pernas
Coitada de Golondrina
Soube de fonte segura, do homem do realejo
Que o feio domador
Tinha-lhe abandonado
Depois de queimar a lona com bituca de cigarro

Partiu rumou ao Alentejo
Com a mulher barbada e gorda
Duas numa dama só, que se chamava Amparito
Deixando para trás o leão
E a dívida com Fulanito

Daí que Golondrina
Sem mais ter onde viver
Convenceu sua bela filha
E o genro desgraçado
Que aquela dinheirama
Devia ser dividida
E que todos mereciam
Sua parte no legado

Mesmo que essa fortuna
Fosse da população
Que confiou no prefeito
E jamais imaginou
Que o dinheiro da quermesse
Da festa de São João
Estava muito bem guardado
Embaixo do seu colchão

Mas, o delegado da cidade
Homem de grande viveza e algo de honestidade
Descobriu o roubo a tempo
E contou para quem quisesse
Que o prefeito era ladrão
Antes que Fulam pudesse
Gastar no Rio de Janeiro
O dinheiro da quermesse
Da festa de São João

Fulam, o miserável, disse que tudo era mentira
E negava de pé junto a vil desfaçatez
E enquanto ele desmentia
A forte acusação
Dos óculos nada sobrou
Virou pó em suas mãos

"Não sou, nem fui ladrão
Tudo o que fiz nessa vida
Foi servir os meus amigos
E minha cidade querida

Se gente de minha sepa
Traiu vossa confiança
Dou fé nesse momento
Com o coração muito sentido
Que tiro todos ao vento
Porque em casa de Fulam Nefasto
Não entra viado ou bandido"

Mas, diante de tantas provas
Fulam não pode negar a culpa certa que tinha
E foi, então, desmascarado
No coreto da pracinha

Sem mais ter o que falar, Fulam
Com muito esforço
Conseguiu, por fim, chorar
E cinco minutos depois
Proferiu o que viria
A ser uma profecia
Para todos os descendentes de sua perpétua família

"A partir desse momento
Fulam, amigos meus
Será sempre vosso escravo
E com a mão no livro santo
Mudo todo o pensamento
Boto estrada, rodovia e até asfaltamento

Porque o homem quando honrado
Não tem vergonha nenhuma
De admitir os pecados
E os erros cometidos
Para assim ser perdoado
Até por haver mentido

Não se esqueçam, povo meu,
Que Jesus, o Nazareno
Quando por todos esquecido
Na cruz na hora da morte
Largado sob o sereno
Teve como companhia um ladrão arrependido

E é por isso que vos digo
Em honra
Ao nosso Senhor
Que de agora para adiante
Podem me chamar de Brás
Brás, o santo, o justo, o bom
São Brás meu nome será

São Brás, amigos, São Brás, aquele que rouba, mas faz!"



Escrito por Vanessa às 23h22
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]