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Só para meninas

ou Sou. Mas, que não é?!

Tenho uma pomba-gira que cada vez mais tem tomado conta de mim. Vai chegar o tempo que ela vai ganhar. Durante o dia sempre estou de cara lavada. De noite, para sair, dou uma destacada nos olhos, mas não sou de batons fortes, nem maquiagem pesada. Sou da geração que não se pintava na adolescência, ao contrário de hoje, com meninas indo ao colégio com sombra e blush. Ficou o costume. Agora, uma coisa não posso negar, adoro um balangandam!!!

Poucas coisas me fazem mais feliz que um brinco novo! Pequeno, grandinho ou amarelinho, sempre busco uma bijouzinha em qualquer canto que vou. De vez em quando, me deixo levar e acabo adquirindo umas coisas que jamais sairão da caixinha de tão esquisitos que são. Vá lá, são feios mesmo. Mas, na maioria das vezes, encontro preciosidades.

Vai ver foi a bendita pomba-gira que me trouxe para cá! Meninas, vocês não sabem o que é este país. Quem tem vocação para perua vai se sentir totalmente realizada e não vai querer ir embora nunca mais. Lugarzinho bom para essas insanidades é o famoso Mercado Índio da Petit Thours, uma rua só com "lujinha", como diz uma amiga paulistana. Tem de tudo: cerâmica, bolsa, echarpes, xales, ponchos (deslumbrantes), casacos de alpaca, mantas e muitos anéis, colares e brincos. Ah, os brincos...

A base é a prata, claro. O que é perfeito porque prata deixa a perua mais discreta, além de ser bem menos perigoso. A partir daí, combina-se a prata com qualquer pedra, com qualquer semente, com qualquer coisa. E é de enlouquecer!

Justiça seja feita, o artesão peruano tem um bom gosto atávico, nasceu com ele. A combinação de cores e materiais é deslumbrante e até os trabalhos mais tradicionais têm um traço contemporâneo. E os preços não são nada assustadores, posso garantir. Peças como as que a gente encontra por aqui seriam muuuuito mais caras em qualquer outro lugar do planeta.

Sem falar dos designers modernos, que estão fazendo um trabalho digno da Vogue. Hoje mesmo, pesquisando idéias para os presentes de Natal, encontrei uma loja (aliás, fui apresentada a esta loja por uma amiga de extremo bom-gosto. Portanto, merecedora da mais absoluta confiança!), lá mesmo no mercado de artesanato, com peças feitas em fibra e semente, prata com pedras semi-preciosas, braceletes super elaborados, barbante misturado com coco colorido. Um luxo!

Existe uma semente por aqui usada para espantar mau-olhado, conhecida como uairuro. É vermelha, tipo urucum, e linda! Claro, sendo vermelha, é extremamente perigosa também, já que pode deixar a perua aperuada demais. Pois essa loja mistura uairuro com fibra, fazendo colares rústicos, mas extremamente inovadores. O legal é que a semente eleva o barbante a categoria de jóia e o barbante baixa a bola da semente escandalosa. Uma loucura! Desses que vao da praia a festa.

Por essas e outras que eu falo: ainda vou abrir uma loja só com produtos peruanos. Já tem até nome. Me aguardem!



Escrito por Vanessa às 20h34
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Nossos reclames, por favor!

Este ganhou um Leão em Cannes. O anunciante eu não tenho a menor idéia de quem seja. Se não me engano, é de uma escola de francês. Ou, provavelmente, é apenas um comercial feito para ganhar prêmio. De qualquer maneira, o texto é ótimo:

"O Japão é o país onde menos se come gordura. E não tem tantos casos de infarto como nos Estados Unidos. A França é o país onde mais se come gordura. E tem menos casos de infarto que nos Estados Unidos. Na Índia não se bebe muito vinho tinto. E tem menos casos de infarto que nos Estados Unidos. A Espanha é o país onde mais se bebe vinho. E tem menos casos de infarto que nos Estados Unidos. No Brasil, transa-se mais que na Argélia. E há menos casos de infarto que nos Estados Unidos. Portanto, coma, beba e faça sexo à vontade. Porque, no final, o que pode te matar mesmo é falar inglês!"

Em compensação...

Propaganda do cartão telefônico Armageddon (notem o nome), no qual você pode falar por até oito horas num interurbano internacional. Ah, a narração é em português mesmo!

"Papai Noel está deixando presentes na casa de uma prosaica família em New Jersey, quando se depara com um jovem caipira escondido atrás da árvore de natal:
- O que você está fazendo aí?
- Psiiiiu! Estou me escondendo da imigração...
- Ah, então eu tenho um presente ótimo para você. É o novo cartão telefônico Armageddon. Com ele você poderá falar por até oito horas e com isso chamar toda a família e avisar que em breve você estará voltando para casa..."

Ai.

O curioso é que deste me lembro direitinho quem é o anunciante. O que só prova que porcaria por porcaria votem no Zé Maria!

Aliás, falando em porcaria: lembram-se do "Axé Bahia", que fez um sucesso enorme no Chile, México e Peru cantando clássicos do "Chiclete com Banana", "Ásia de Águia", "É o tchan" e por aí vai? Aquele que fazia todo peruano acreditar que MPB é a dança da manivela? Falei dele algumas vezes por aqui. Pois é. A loira do grupo resolveu se abancar por aqui. Vai se casar com um peruano, apresentar um programa infantil (!!!) e morar no meu prédio. O Renato até já a conheceu no elevador e disse que a moça é uma simpatia (!!!).

Durma-se com um barulho desses.



Escrito por Vanessa às 00h01
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Atualmente, no Brasil, para cada dois homens portadores do vírus da Aids, há uma mulher infectada. Ainda no Brasil, quase 9 mil criancas de até 12 anos de idade já foram registradas com Aids, contraídas no período de gestação ou nascimento. Mais da metade da população mundial contaminada vive na África. 

O laço vermelho é visto como símbolo de solidariedade e de comprometimento na luta contra a aids. O projeto do laço foi criado, em 1991, pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de Nova York, que queriam homenagear amigos e colegas que haviam morrido ou estavam morrendo de aids.

O laço vermelho foi escolhido pela sua ligação ao sangue e à idéia de paixão, afirma Frank Moore, do grupo Visual Aids, e foi usado publicamente, pela primeira vez, pelo ator Jeremy Irons, na cerimônia de entrega do prêmio Tony Awards, em 1991.

Ele se tornou símbolo popular entre as celebridades nas cerimônias de entrega de outros prêmios e virou moda. Por sua popularidade, alguns ativistas ficaram preocupados com a possibilidade de o laço se tornar apenas um instrumento de marketing e perdesse sua força, seu significado. Mas, ao contrário disso, a imagem do laço continua sendo um forte símbolo na luta contra a aids, reforçando a necessidade de ações, pesquisas e, principalmente, de solidariedade aos que convivem com o HIV/aids.

Saiba mais aqui ou aqui.



Escrito por Vanessa às 16h38
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"As borboletas estão invadindo os apartamentos, cinemas e bares"

Era umas seis e tanta da tarde do sábado quando tomei a decisão. Já queria fazer não era de hoje, mas sempre me faltava coragem. Aí, o tempo foi passando e fui me sentindo meio velha para experimentar. Fui ficando, assim, com vergonha, sabem? Tem coisas que ou a gente faz aos 17 ou passa do ponto, né?!

Daí, fiquei sabendo que isso a Rita Lee só experimentou depois de velha. Ah, aí eu desencanei totalmente em relação a idade certa para se fazer uma coisa desse tipo. Sem falar que minha irmã já tinha se encarregado de romper o choque familiar quando o fez há um tempo atrás, embora o meu pai se recuse a enxergar o óbvio e pense que sai com água. É que para ele, isso é coisa de marinheiro.

Há uns vintes dias, mais ou menos, comecei a falar insistentemente sobre o tema, mas todas as vezes que a oportunidade surgia, eu me esquecia e ia ver televisão...

O certo é que neste sábado, fazendo hora para o show da Susana Baca e sem nada de interessante na TV, aproveitei que o Mateus estava dando um cochilo e disse pro´ Renato:
- É hoje! Vamo´agora...
Catei minha bolsa e parti rumo a Miraflores, reduto soft dos maluquetes roquenrrol, que heavy mesmo é Barranco...

No primeiro, encontrei justo o que eu queria, mas teria que esperar uma hora para ser atendida, tempo mais do que suficiente para que eu desistisse no meio do caminho. Além do mais, o preço excessivamente barato me fez desconfiar da qualidade da coisa. No segundo, um coroa hiper simpático estava disponível, cobrava um pouco mais e me deixou entre entusiasmada e assustada ao dizer que depois da primeira a gente não quer mais parar.

Após dois minutos de hesitação, respondi, finalmente:
- Ok. Façamos, então...

O coroa me apontou um jaleco, explicando que deveria colocá-lo ao revés, como uma camisa de força. Achei apropriado, considerando as intenções. Além disso, o "atuendo" estava impecavelmente limpo, alvejado e cheirosinho, me deixando ainda mais tranqüila em relação à lisura do lugar.

O coroa, então, me mostrou as agulhas, fazendo questão de destacar:
- São todas descartáveis, não se preocupe. Além disso, só trabalho com extratos vegetais...
- E numa escala de um a dez, em que posição está a dor? - perguntei.
- No seu caso, como é pouca coisa, um ou dois...

Enquanto o Renato ia ao caixa eletrônico buscar dinheiro, o coroa trabalhava, me explicando como deveria me cuidar para evitar uma infecção:
- Nos primeiros dias arde e coça um pouco, mas é normal. Vou te receitar um creminho antibactericida, que você deve passar três vezes ao dia, e evite tomar sol pelas próximas duas semanas, ok?

Quarenta minutos depois, um pouco dolorida, parti flanante com um plástico PVC pendurado nas costas, cobrindo as três borboletinhas coloridas e minúsculas que mandei tatuar logo abaixo da nuca. Para os virgens, como eu era até sábado de tarde, o PVC serve para proteger a roupa do creme anti-inflamatório que a gente passa logo depois que a obra fica pronta.

Aviso aos navegantes que dói um pouquinho (e o barulho da máquina parece o de dentista), mas cada vez que me olho no espelho, mais eu gosto das bichinhas voando rumo ao meu cabelo... Faz até cosquinha... ;-)



Escrito por Vanessa às 01h17
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Sobre o show

Em primeiro lugar, já adianto: foi um dos shows mais bonitos que vi na vida! Sabe aqueles momentos que você agradece ao anjo da guarda por ter vivido? Pois é...

Susana, que tem absoluta consciência da beleza que estampa, sabe ser dramática e contida ao mesmo tempo. Econômica nos gestos e expansiva na face. Mas, aí, de repente, ela roda no palco como uma pomba-gira ao compasso do cajón (como num ponto de macumba) e flerta com o marido numa canção de amor.

Como bem definiu o Renato, a cantora consegue colocar os movimentos afros quase que obrigatórios num show de música negra sem chocar os mais conservadores, pois o seu baile não sai do seu perímetro. Não é que ela saltite pelo palco, como a Maria Betania. No jogo corporal, ela lembra mais a Marisa Monte. Porém, muito mais bonita (e muito mais sincera. Sem ares de prima-dona)!

Ela olhava para todos, reconhecia a todos, agradecia nominalmente e mandava beijos para os amigos. E seus metro e meio de altura se convertiam em três quando abria a echarpe salmão que cobria o mesmo vestido creme quase branco, que ela usava sem sutiã, numa rara concessão a sensualidade explicita, que seu sex appeal vem dos poros.

Além do vestido de sempre, que ela sabe o efeito que tem, por isso não teve pudor algum em repeti-lo (afinal, não se mexe em time que está ganhando! Ou talvez, seja apenas superstição...), ela usava um colar de prata com uma enorme pedra turquesa e nas mãos um anel com opala. Algo me diz que é aquariana, como eu! Ah, e nos pés nada...

Sem falar do sorriso! Vocês não têm idéia do que é o sorriso de Susana Baca...

Para minha quase tristeza, não cantou "Caras lindas" (é a mesma do link abaixo), mas, em compensação, apresentou um novo arranjo para "De los amores" (de los amores no entiedo y del dolor fui el primero pescador, no soy bella como duele el esmero como duele) com cajón e violino que é, literalmente, de arrepiar.

Sem querer, Renato foi o fotógrafo oficial do show e ela percebeu de longe, posando para ele em vários momentos. No final, enquanto saia do palco dançando pelo meio público (sem se desgrudar de sua partitura!), lhe deu um beijo carinhoso, um abraço de corpo inteiro e agradeceu o trabalho. Depois disso, até já comecei minha novena para Santa Ursula (aquela que salva as almas dos purgatórios) rogando para que as fotos estejam perfeitas. Afinal, não podemos decepcionar Susana Baca!



Escrito por Vanessa às 15h37
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