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Vai sem título mesmo...

Sei que deveria atualizar o blog, mas estou com uma preguicinha de escrever que vocês nem imaginam! Portanto, só vou contar uma historinha patética que me aconteceu estes dias, que nem é engraçada contando assim, mas na falta de coisa melhor...

A noticia nem estava num canto nobre do jornal. Aliás, estava até escondida, ali perdida na página quatro na parte de baixo. Ainda assim, não tinha como não vê-la porque o assunto era de uma raridade impar: "Tigresa se empareja con león en zoológico y da la luz a cachorrito".

"Caramba", pensei. Como é possível isso? O afair entre animais (irracionais, vale ressaltar!) de raças diferentes já é inusitado. Que desta relação  saia uma gravidez já é um milagre. Mas, que deste milagre saia um cachorro já era demais para a minha cabeça! Não parava de ler a noticia e lá pelas tantas comecei a desconfiar da reputação da pobrezinha. Vai ver que por suas palhas tinha passado um lobo com ares de "carteiro", sei lá. Mas, que aquele "cahorrito" definitivamente não era do leão, não era mesmo!

Só depois de uns dez minutos me deu um clic e matei a charada. Tinha caído na cilada do falso cognato, que faz a gente confundir "taza" de vinho com "copa" de leite, por exemplo. Nosso cachorro em espanhol é "perro". Já "cachorrito", assim em castelhano, é "filhote, filhotinho". Ou seja, a noticia era clara e certa: tigreza cruza com leão e dá a luz a filhotinho! Ah, bom. A bichinha gostava de experimentar coisas novas, mas era boa moça, gente! O filho era do leão mesmo.

Aliás, isso me lembrou outra historia que vivi assim que cheguei. Estava conversando com a faxineira, contando um caso longuíssimo que, hoje em dia, tenho certeza, ela não entendeu palavra. Lá pelas tantas, falei alguma coisa de cachorro. Assim, em português, sem destacar muito o "cho", como se deve fazer quando falamos espanhol. A mulher me olhou sem entender. Aí, me lembrei que cachorro não era cachorro e "traduzi", achando que o problema era esse. No entanto, mais uma vez não coloquei força na pronuncia e a palavra saiu mais parecida com um "pero", que como muitos sabem, é nossa conjunção adversativa "mas, porém". Ela entendeu menos ainda.

Aí, resolvi fazer a onomatopéia: "au, au". Nem assim fez sentido. Afinal, os cachorros hispanos não latem como os nossos. No idioma "cachorres" (ou devo dizer "cachuerrez"?) "au, au" é "guau, guau". No final, desisti e mudei de assunto.

Agora, vamos combinar que é estranhíssimo que a má pronuncia comprometa a compreensão no caso de palavras iguais ou parecidas. Sinceramente, para mim é obvio que "au, au" e "guau, guau" sao a mesma coisa. Ou que McDonalds é "MaDonalllds" (tive que usar sinais com um taxista uma vez para conseguir comer um Big Mac só porque não falei da mesma maneira que ele).

Parece até má vontade, né não?! Sei lá, já ouvi tantas vezes que brasileiro fala tudo errado ou que tem problema de dicção porque não destaca os "erres" e os "eles" das palavras... Agora, pede para eles falarem que para comer feijão a gente tem que pegar um avião pra São Paulo, pede.



Escrito por Vanessa às 12h58
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"Outras conversas sobre os jeitos do Brasil"

A Embaixada do Brasil promove esta semana um ciclo de debates sobre cultura brasileira e nós fomos contratados para produzir um CD-Rom com o conteúdo das palestras. Este é o tipo de trabalho legal de se fazer: pois ainda que a paga seja pouca, a gente se diverte pacas!!! Afinal, as chances de se conhecer gente interessante e, principalmente, aprender coisas novas são enormes. Além da novidade em si, que é ouvir cultura brasileira da boca de estrangeiros

Então, fui com prazer cobrir o primeiro debate, sobre Cinema Novo, apresentado por Ricardo Bedoya, jornalista e respeitado crítico de cinema peruano. Gente, o cara foi impecável. Bedoya não tinha nenhum texto pronto, somente algumas anotações usadas como guia. A fala foi bem cartesiana, pois até os comentários enxertados aqui e ali tinham um propósito, nao deixando que o jornalista saísse de sua reta. E foi graças a isso que ele conseguiu, em pouco mais de uma hora, dar um panorama bastante completinho sobre este incrível movimento cinematográfico liderado por Glauber Rocha na década de 60.

Claro que não havia nenhuma pretensão de ir mais além do possível. A platéia era quase leiga, no máximo diletante, o tempo era curto, o dia péssimo (segunda-feira) e a hora, infeliz (sete da noite). Mas, apesar de tudo isso, o quorum foi sincero (a sala estava razoavelmente cheia) e o interesse, surpreendente. Além de demonstrar que sabia do que falava, o jornalista é um orador de mão cheia. O tom de voz estava na medida certa, a pronuncia era claríssima e, principalmente, sua postura ainda que didática, foi super simpática! Jamais professoral, que é chatíssimo.

Lá pelas tantas, Bedoya exibiu um trecho de Deus e o Diabo na Terra do Sol, marco do Cinema Novo e considerado o primeiro filme produzido dentro dos "cânones" do movimento (mesmo lançado depois de Barravento, primeiro longa de Glauber).Não que o Cinema Novo tenha tido um cânone já que não produziu nenhum decálogo, como Dogma, teve uma vida curtíssima (cerca de uma década) e hoje em dia é difícil identificar produções recentes que guardem alguma semelhança ou até mesmo influencia do que Rocha produziu na época.

Dele, assisti os clássicos: o próprio Deus e o Diabo e Terra em Transe. Gostei muitíssimo dos dois. Mas, o primeiro é impressionante. Mais metafórico, alegórico e palatável ao mesmo tempo, com referencias essencialmente brasileiras, mas universais. A seqüência escolhida por Bedoya foi justamente aquela em que o Beato sacrifica o bebê ("só o sangue dos inocentes pode salvar os pecadores"), para logo depois ser assassinado por Rosa, enquanto Antonio das Mortes extermina todos os fiéis a mando dos coronéis e da Igreja. Um soco no estomago. E super contemporaneo, diga-se de passagem.

O jornalista exibiu, ainda, depoimento de um dos companheiros de Glauber Rocha contando que no final da primeira projeção de "Deus e o Diabo", em praça pública, a platéia ficou calada, pregada na cadeira, sem esboçar reação alguma. Só depois de uns dez minutos este torpor e êxtase foram rompidos pelos soluços do iluminador Paulo Santana. O filme foi aplaudido de pé, sob urros, lágrimas e abraços.

Ou seja, mesmo acusado de hermético e complicado, Glauber Rocha sabia falar com o brasileiro médio (ao menos em suas primeiras produções), pois tratava de temas comuns a todos e usava alegorias essencialmente nacionais: literatura de cordel, tradições culturais nordestinas e música brasileira, como Villa-Lobos (o clímax que antecede a última cena de "Deus e o Diabo" é um beijo alucinante entre os personagens de Othon Bastos e Yoná Magalhães ao som das Bachianas).

Muita coisa eu já sabia. Outras ouvi pela primeira vez hoje. Sinceramente, se Ricardo Bedoya é uma mostra do que virá, então os estudiosos peruanos são tão bons quanto os nossos para falar da gente mesmo! O tema desta terça é música brasileira, com um recorte justamente em Villa-Lobos. Se for tão legal quanto o de hoje eu venho aqui contar, ok?!

Mais Glauber aqui e aqui.



Escrito por Vanessa às 01h27
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Direto da Trip

A lancha mal havia parado, a uns 10 metros da praia, quando a cantora Perla se atirou ao mar de jeans e camisa social. Rolou no raso, atirou água para cima e engatinhou em direção à praia, sob os risos e aplausos de Lacraia, MC Serginho e de Regininha Poltergeist. Quando colocou as mãos na areia, debaixo de chuva, não resistiu e bradou ajoe-lhada:
- Ai, gente. Estoy na Ilha de Caras. É como um sonho!

Depois, levantou e catou meia dúzia de conchinhas para se recordar do momento mágico. Foi assim que a TRIP sacramentou o sucesso do projeto planejado por meses: uma invasão à Ilha de Caras, acompanhada de gente famosa, talentosa, mas que nunca foi convidada para o olimpo das celebridades brasileiras em veraneio.

O resto tá aqui. E está ótimo!



Escrito por Vanessa às 02h09
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