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Eu acredito em Papai Noel!

Este é o primeiro Natal que passamos no Peru, longe do resto da família. Seria melancólico se não fosse este também o primeiro Natal no qual o Mateus começa a captar o espírito da coisa, se é que vocês me entendem! Para se ter uma idéia, ele passou a semana inteira raspando o prato e me mostrando o tamanho da barriga porque eu disse que Papai Noel só passaria por aqui se ele comesse toda a comida.

Estamos super emocionados com todo esse clima familiar, com o nosso filho herdando (e construindo o seu próprio) legado de crenças e desejos e sentindo a excitação que o Natal traz aos que ainda estão na primeira infância.

Hoje, reclamou, choroso:
- Mamá, no hay regalo en mi árbol de navidad...

O caso é que se colocamos as bugigangas que compramos, ele vai abri-las em menos de dez segundos! Sem falar, que na minha casa, a gente só via a cor dos presentes na manhã do 25, e não era na árvore e sim ao pé da cama. Eu adorava a surpresa, mesmo previsível.

Uma vez, já adolescente, minha mãe me entregou meu presente logo depois da meia-noite. Dormi contente com meu relógio novo, mas no outro dia, com o sapato vazio, chorei escondida (que já era mocinha!), sem nem mesmo saber o porquê. Talvez, tenha sido pela confirmação da inexistência de Papai Noel, que acreditei até os nove anos (eu sou caipira, Pirapora nossa, não se esqueçam!). Mais tarde, pedi taxativa que nunca mais fizessem aquilo comigo! Até hoje, minha mãe guarda uma lembrancinha para me dar no dia seguinte. ;-)

Vocês podem até não acreditar, mas na tentativa de guardar a emoção de menina, muitas vezes finjo que estou dormindo, enquanto ela entra no meu quarto, pé ante pé, adorando a pantomima. E não to nem aí se me chamarem de boba (pra dizer o mínimo)!

Desta vez, serei eu o Papai Noel de uma criança. É uma tremenda responsabilidade, devo dizer. Mas, assumida com muito amor e, principalmente, com muita felicidade. Bom, antes que comece a chorar (é que estou assim esses dias, vocês entendem, né?!), paro por aqui, desejando a todos um Natal maravilhoso, de todo o coração e de toda a família.

Ah, e o Mateus manda um beijo especial bem aqui.

PS: Vocês já sabem, né, o que está em negrito é link!



Escrito por Vanessa às 02h16
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Ah, bom.

Tudo começou com o sr. Lu dizendo que ia comprar duas cadeiras tulipas e uma mesa de escritório de cavalete e tampo de vidro pela bagatela de cem dólares. O negócio seria feito com uma senhora que está de mudança para os Estados Unidos e precisa de dinheiro vivo com urgencia. Só não morri de inveja porque isto é sentimento do mal! Mas, ó, estive pertinho, pertinho de uma síncope...

Resolvi acompanhá-lo, para sofrer mais um pouco, mas com a esperança de encontrar outra preciosidade. Quem nos atendeu foi um velho que, presumi, era o marido. Já na porta, ele avisou que, infelizmente, tinha vendido os móveis para o sócio, um arquiteto conhecido por aqui, e que não poderia mais desfazer o trato.

Sr. Lu ouvia calado, com cara de ofendido, e só abriu a boca para lembrar que eles já tinham fechado negócio desde a semana passada e que, portanto, aquilo não era certo. Nisso, a mulher entra na sala e, sem saber de nada, nos cumprimenta com alegria, perguntando se o sr. Lu tinha ido buscar os móveis. Ao saber do sucedido, ficou possessa.

Disse que educou os filhos na base de empréstimos e que nunca deixou de honrar sua palavra. Que esta é a única coisa que nos resta. Que o problema era dele se tinha feito negócio, "com os móveis dela", com outra pessoa. Que ele teria que se explicar com o amigo, já que o sr. Lu tinha preferência porque estava na frente. Que ela não mente e nem é injusta. Em resumo, que é pobre, porém limpinha!

O velho insistia com a história do sócio, ao que o sr. Lu respondeu que tinha certeza de que o outro não se importaria com o trato desfeito porque era um cavalheiro e sabe que cavalheiros devem manter a palavra...

Totalmente acuado, o velho se levantou irritadíssimo e foi telefonar, decerto para o sócio. Não sem antes avisar para a sua "mulher" que não se meteria mais em seus (dela) negócios.
- Acho melhor. Você já está muito velho, ruim da cabeça e só atrapalha a minha vida...

Em menos de vinte minutos de conversa, descobrimos que ela tinha sido rica, mas sem sorte no amor. Seu primeiro marido dilapidou seu patrimônio e este, que "sequer era marido pois nao quis se casar, me fazendo de convivente por tantos anos", terminou de arruinar o pouco que tinha sobrado. Contou que se mudava para Nova Yorque para se afastar deste "encosto de cem anos de idade" e também porque "em Manhantam as pessoas têm a cabeça mais aberta." Além disso, o filho, advogado, já vive lá há anos.

Vi, também, umas fotos suas antigas. Pareciam de uma atriz de cinema. Lindíssimas. Uns olhos escuros enormes a la Claudia Cardinale. Numa outra, posando com o velho, se parecia mais a Joan Collins. Está é de uns cinco anos e os dois estão bem charmosos, vestidos com elegância e tudo o mais.

O mais impressionante é que entre a mulher da foto, de cinco anos atrás, e a outra, de hoje, há um abismo de semelhanças. Me pergunto o que aconteceu com ela neste período para que esteja tão decadente agora. Acredito que tenha passado por um pequeno derrame, porque o lado esquerdo da boca está paralisado. Além disso, deve ter engordado uns vinte quilos e nem é que seja obesa. Está pesada. Lenta. Cansada.

Na cara, capas e mais capas de pancake. Confesso que fiquei um pouco agoniada com toda aquela base. A impressão que me dava é que aquela "massa corrida" iria derreter a qualquer momento. Ao mesmo tempo, foi o que mais me deu pena, pois o excesso de maquiagem deve ser a última tentativa de se manter digna. Imagino que mulheres que foram muito bonitas na juventude devem sofrer o dobro quando envelhecem. Principalmente, quando a idade vem junto com doenças...

Bom, final da história, os móveis ficaram mesmo com o meu amigo, que tratou de levar tudo de uma vez, nas costas, só para garantir. Chegamos a conclusão de que, mais uma vez, o velho quis enganar a mulher. Ele é arquiteto. Deve saber o valor de um móvel desses. Provavelmente, deu um preço ridículo para que o sócio pudesse comprar e os dois vendessem mais caro depois.

Ou de repente, nem sabia no início. O homem está caquético. Contou que quando está fazendo uma obra e precisa de tapetes, vai a Índia. De couro, toma um avião para Itália e de tecidos, busca na Argentina.
- Prefiro assim. Direto na fonte, que tem mais variedade...

Citou, ainda, clientes com sobrenomes pomposos que todo o mundo está careca de saber não têm dinheiro nem para comprar pêra. Aposto que foi o tal "sócio", mais antenado e mais jovem, que avisou sobre as tulipas. O certo é que ele acabou atirando no pé. Ficou sem nada e ainda ganhou uma bronca daquelas na nossa frente.

Ah, detalhe: o velho é argentino.

UPDATE: O sr. Lu passou pela casa da mulher hoje (terça-feira) para buscar um aparelho de fax que ela também estava vendendo a bom preço. Ficou sabendo que o velho teve uma crise feia de diabetes e quase morreu. E não é que a mulher estava triste, não...



Escrito por Vanessa às 04h11
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