Tem que ser selado, carimbado, autorizado ...
As oito e meia desta quarta parti rumo a Montes Claros na tentativa de, no mesmo dia, fazer a renovação do passaporte do Mateus. Já no ônibus, quando tive que mostrar os documentos - no caso dele, a certidão de nascimento e no meu, o passaporte (já que meu RG foi sendo destruído pela ação do tempo, depois de uma chuvarada que peguei no Rio há uns anos), ouvi da "rodomoça" que o passaporte brasileiro tinha mudado, que o modelo antigo está ultrapassado e coisa e tal.
Já em Montes Claros, conhecedora dos procedimentos, fui direto a uma papelaria comprar o boleto bancário necessário para a renovação e que deveria ser pago no Banco do Brasil. Na boca do caixa, no BB, fui informada que aquele papel não valia nada, mesmo que continuasse sendo vendido por aí: - Agora, quem fornece o boleto é a própria Policia Federal...
A sorte é que a PF não era muito longe (ah, as facilidades das pequenas cidades...) e, enquanto meu irmão foi buscar o tal formulário, me aboletei numa cadeira, com o filhote cochilando no colo, que o calor estava insuportável.
Vinte minutos depois, voltou ele com as mãos abanando: - Tem pegar o formulário pela internet, no site da Polícia Federal... - Como assim? Eles não têm cópia no escritório? - Não, só pela internet mesmo. - E quem não tem acesso a internet? - ...
Na cabine, com o formulário devidamente preenchido, e já prontinha para "Gerar Guia" - ícone que deve ser marcado para que a impressão saia com código de barra-, li na tela que aquela máquina não possuía o programa para a leitura do documento.
O site até o disponibilizava gratuitamente, mas como estava numa cabine de internet, não dava para instalar um programa assim, sem mais nem menos. Pedi ajuda aos funcionários do local, que me ignoraram solenemente, pois ninguém ali sabia manejar computador. Não havia um técnico em informática nas imediações e o dono, um gordo suarento, só sabia mesmo contar tostões e passar troco.
De vez em quando até chovia, mas o calor era de matar. O filhote estava exausto, com sede e fome, e não dava nem para parar. O tempo era curto e os afazeres não.
Numa outra cabine, finalmente consegui fazer a tal operação.Como o boleto pago e munida dos documentos do filhote, procuração do Renato, meu passaporte, CPF, certidão de casamento e carteira de trabalho (tudo para provar que eu era eu mesma, já que estava sem RG), me sentei na cadeira da PF suada até o ultimo fio de cabelo, mas aliviada porque aquele tormento parecia chegar ao fim.
Hum, hum.
- Não posso realizar a operação sem sua carteira de identidade... - Como, se estou com o passaporte que é o meu documento internacional? - É, mas no Brasil, o seu documento de identidade é o RG... - Mas, moça, pára para pensar. Para tirar estes documentos tive que usar meu RG, certo?! - Com certeza... - depois do gerundismo, a moda agora é o "concertezismo"... - Então.
Para mim, a lógica era irrefutável. Se o RG era tão importante e nenhum daqueles documentos poderia ter sido emitido sem ele, como não eram legítimos comprovantes de que eu era eu? Vocês me acompanham?!
- Sinto muito.
Capitulei. Fui tirar a segunda via da identidade. Depois de passar por uma agencia no estilo "Poupa Tempo", que não estava mais distribuindo senhas para a emissão de RG naquele dia, segui para um outro posto de identificação, que fechava mais tarde. Mentira. Não fechava não. Mas, o dono me deu uma canja e ainda me esperou tirar a foto que, diga-se de passagem, conseguiu ficar não só horrorosa (mais do que o normal no caso das 3x4), mas monocromática: marrom claro (que o bronzeado de Paraty já subiu no telhado) com dois olhos mais marronzinhos no meio e um cabelo desgrenhado em cima.
Falar a verdade, nem liguei. Aliviada, corri para a PF, que já estava fechando, preenchi a papelada, encaminhei o pedido e na semana que vem volto lá para buscar a encomenda. Pois é, não deu para fazer tudo no mesmo dia. Um a zero para a burocracia. O irônico é que o RG foi tirado a partir da minha certidão de casamento. Ou seja, um papel tão legitimo que pode ser usado na emissão de uma nova carteira de identidade, embora, no final das contas, seja este ultimo apontado como o mais importante dentro do território nacional.
Descontando o mau humor, não é surreal?!
PS: sou só eu que acho ou as propagandas da Skol com jingles do Carlinhos Brown e Falcão (Rappa) estão mesmo super legais?!
Escrito por Vanessa às 01h12
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Por isso eu vou na casa dela, ai, ai. Falar do meu amor pra ela, ai, ai. ´Tá me esperando na janela, ai, ai. Não sei se vou me segurar...

Agora, estou na casa dos meus pais, no interior de Minas, em Pirapora. Ficamos por aqui até dois de fevereiro, quando volto para Lima. De uns dias para cá, o Mateus deu para gaguejar e a gente acha que o nó em sua cabeca, finalmente, aconteceu. Acreditamos que ele está inseguro, porque mesmo as pessoas achando engracado o "portunhol" do pequeno, demonstram que nao estao entendendo nada. E ele, claro, já percebeu.
Confesso que estamos meio estressados com isso. Quem já viveu o problema, por favor, nos de uma luz.
PS: Tiramos esta foto numa daquelass lojas lindas de Paraty! Olha só que máximo!!!
Escrito por Vanessa às 09h48
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