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Causo mineiro para fechar as férias

Aí, dona Sinhá teve um piripaque na igreja. Caiu dura e preta no meio da missa, bem na hora da comunhão. E olha que nem um derrame tinha derrubado esta mulher. A filha, Dete, que em seus momentos de gostosura já foi até capa de revista pornô, desatou num choro bravo, pesado para o atual corpanzil:
- Ela morreu! Mamãe morreu, meu Deus do céu!!!

Alicinha, coitada, vizinha de dona Sinhá desde que se casou, sentiu como se fosse a sua própria. A mãe. Acostumada a vestir defunto (e até banhar!), foi pra casa rezar o terço e se preparar para a triste função. Anos antes, tinha vestido seu Antonio, fazedor de geléia e marido da defunta. Agora, enterraria a mulher, encerrando de vez o capítulo dos velhinhos da Diamantina.

O genro tratou logo de limpar a casa. Varreu o terreiro, arrastou cadeira e deixou vago o meio da sala para o caixão que chegaria lá pelas quatro e tanta. O louro até calou. Não assoviou nenhuma vezinha e até o hino do Cruzeiro o bichinho esqueceu. Alicinha atravessou a rua e catou uma erva cidreira no jardim, que era para acalmar os ânimos.
- Mãezinha, mãezinha, não vai embora não...

Não era para maldar não, mas Dete de carpideira não era coisa que combinava. Não era nem de rir, mas... e Alicinha baixou a cabeça, sacudindo os ombros. De nervoso. Quando a chaleira apitou, Alicinha botou o matinho na xícara e enquanto esperava esfriar um tiquinho, rezou uma "Salve Rainha".

As cinco e meia, na hora do velório, a casa trancada apontou a estranheza do sucedido. "Ué, será que o velório é na casa da filha?". Alicinha de nada entendeu. Entrou então, que ia começar a novela.

As oito e meia, dona Sinhá gritava no meio da rua:
- Cadê meu papagaio?!

No dia seguinte, contava para quem quisesse ouvir:
- Botaram meu papagaio no quintal e até varreram a casa, ó. Tudo esperando minha morte. Tão doidos para me ver morrer, esses "corno". Até meu papagaio levaram lá para fora. Mas, não morri não, viu?! Não morri não. To aqui, vivinha da silva!

Nem catalepsia foi. Parecia mais queda de pressão. Nem preta nem dura. Dona Sinhá só quer mesmo é passear de táxi... Continua por aqui, com um cabo de vassoura nas mãos, que faz vez de bengala e até de arma letal. Outro dia até quis me vender uma galinha caipira por oito reais. Comprei não. Todo o mundo sabe que galinha caipira vale muito mais. Vai ver estava até doente. A galinha, porque dona Sinhá, ah, esta não.

Dona Sinhá, graças a Deus, vai muito bem, obrigada.



Escrito por Vanessa às 15h16
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Por falar em passaporte...

Deem uma lida nisto aqui. Esse assunto ainda vai render...

Escrito por Vanessa às 21h42
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