Enquanto isso, no Peru...
Não sou daquelas que cospem no prato em que comem. Além disso, já declarei meu amor e minha empatia a este país um sem número de vezes. Tinha até separado uma notícia super legal sobre uma comunidade nativa que encontrou no teatro uma forma de perpetuar seus costumes, mas esta me pareceu mais premente (até porque, andei meio que falando de temas afins durante a semana...):
Em 2004 se registraram 244 atos de violência contra agentes policiais quando tratavam de sancionar a infratores de trânsito. Deste total, somente 47 foram contra agentes masculinos. Os 197 restantes foram contra mulheres.
A suboficial Maria Luisa Calderón Vera foi uma delas. A jovem de 28 anos recorda com raiva o fatídico 29 de dezembro do ano passado, quando interpelou o motorista de um sedã que ocasionava um caos veicular numa avenida de grande fluxo na cidade de Lima. Ao se aproximar, o motorista jogou o carro sobre ela, fugindo em seguida. Maria Luisa sofreu uma fratura na cabeça, várias contusões graves e um profundo corte na perna direita. Passou dois meses na cama e, atualmente, está em reabilitação, ainda necessitando cadeira de rodas para se movimentar.
Caso semelhante aconteceu em 2002, quando uma policial morreu e outras três ficaram gravemente feridas ao serem atropeladas por um motorista bêbado. O homem foi sentenciado a apenas quatro anos de prisão (já suspensos) e sua carteira de motorista foi anulada por apenas um mês. E as agressões não são apenas da parte de homens comuns, já que até autoridades políticas se valem da impunidade para aprontar das suas...
Em 2004, Miguel Angel Mufarech, tipo meio mafioso que também ocupa um alto cargo executivo na administração de Lima, deu uma bofetada em Elizabeth Tello quando ela tentava entregar-lhe uma multa. Evidentemente, nunca foi punido. Ela, sim. Parece que por conta das influências do político, Elizabeth sofreu um tipo de sanção que pode prejudicar sua carreira.
Além do total desrespeito as leis, especialmente as de trânsito (quem conhece Lima sabe a loucura que é dirigir por aqui), o problema, neste caso, é de gênero, já que para os motoristas é inconcebível que a autoridade de uma mulher se sobreponha à deles, principalmente no trânsito, terreno "tradicionalmente" de meninos...
Na minha opinião, e na de muitos peruanos com quem já falei sobre isso, à parte o carinho com brasileiros, a comida maravilhosa, a excessiva criatividade que faz com se encontre uma solução (provisória) para tudo (meio parecido ao famoso jeitinho brasileiro, mas com muito mais competência) e a pujante história de seus antepassados, é no trânsito que o peruano demonstra o pior de si. Essa absoluta falta de respeito ao próximo e ao bem comum contribui para sedimentar estereótipos, más-vontades e a impressão de que ainda lhe faz falta uma certa civilidade cosmopolita fundamental para que este país saia da encruzilhada social em que se encontra. Uma terra tão cheia de possibilidades. Que pena.
Aí, a primeira-dama, Eliane Karp, diz "bem-feito!" a uma jornalista de um dos veículos de mídia de mais credibilidade por aqui quando ela lhe conta que foi agredida por um dos seguranças presidenciais, durante uma coletiva. "Ah, foi, é?! Então, chora, bonequinha, chora. Vai te fazer sentir melhor..." Ao ser informado do acontecido, o presidente Alejandro Toledo respondeu: "também, eles vivem falando mal dela nos jornais..."
Bom, justiça seja feita, Eliane Karp não é peruana. É francesa. Mas, é primeira-dama...
Escrito por Vanessa às 03h36
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Luxos imprescindíveis...
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Às vezes, ser mulher é uma frescura só!
Escrito por Vanessa às 05h17
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