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PeruPosible
 


Algo meio melancólica...

Estou postando de Cusco. Na segunda, vamos rumo a Machu Pichu. Assim que chegar em Lima, conto como foi a viagem e publico fotinhas Por enquanto, queria só contar uma historinha que aconteceu comigo ontem.

Passeávamos por uma dessas calcadas estreitissimas que tem perto da pousada quando nos deparamos com uma cadelinha em "pleno ato" com um vira-lata (!). Os dois sao, seguramente, “perros callejeros”, como dizem por aqui. Ou seja, cachorros de rua. Sem dono, sem teto, sem canto.

Ela nem reagia, até porque ele era maior. De longe, soltei um “tadinha”, totalmente cursi nessas ocasioes. Mas meu coracao partiu de verdade quando chegamos perto. Ela estava meio encostada no muro, com uma cara de doente, de cansada. Cara de fome. De solidao. Parecia uma crianca, a bichinha. No cio, nao tinha como fugir do que a naturaza lhe cobrava. Mas, seguramente, nao queria estar ali.

Na volta, horas depois, ela continuava no mesmo lugar. Encostada no muro do mesmo jeito. Com a mesma cara. O mesmo olhar. E o mesmo cachorro por companhia. Desta vez, ele nao estava sobre ela, mas do lado. Esperando a vez. Mais uma vez. Guardando-a dos outros, seguramente. Parecia um cafetao… sei, soa horrivel a comparacao, mas ela estava tao desamparada e ele tao cheio de vontade…

De madrugada, a pobre estava em outro canto, mas encostada igual. Exausta. Enferma. Com fome. Calada. Acuada. Ao seu redor, estava o mesmo companheiro da noite anterior e mais um. Um cahorro maior que o primeiro, mas educado, já que "cordialmente" esperava a sua vez. E ela, pasivamente, aguardava o próximo da fila…

Hoje nao a vimos mais. E eu nao parei de pensar nisso. Volto e meia me lembro da bichinha… E desta poesia da Elisa Lucinda:

AVISO DA LUA QUE MENSTRUA

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
As vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...

Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!

Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um viejo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.

Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?

Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
o que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

Escrito por Vanessa às 23h23
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"Como dois e dois sao quatro..."

Dia desses fiz aniversário de casamento. O Renato é super cuidadoso com essas datas e me levou para jantar num desses restaurantes chiques da cidade. Além disso, mandou fazer uma nova aliança, já que a minha eu perdi nas ferias em Paraty. Não me perguntem como e nem me digam que Freud explica. Foi um acidente, nada mais. Ou, quem sabe, confesso, uma boa razão para ganhar uma jóia nova!

Daí que escarafunchando posts antigos, lá da primeira casa do Peruposible, encontrei isso aqui...

 

Confissões de adolescente

Eu já era bem grandinha quando dei o meu primeiro beijo. Talvez tenha sido a última da turma. Antes disso, tinha namorado um colega de escola sem jamais tê-lo beijado. Ninguém sabia, mas desconfiava. Toda aquela pressão e o medo de não fazer direito e o medo de parecer ridícula, já sendo grandinha para o primeiro beijo e não ter beijado.

Ele era lindo. Romântico. Cantava em inglês no meu ouvido. E me beijava a orelha enquanto cantava. Mas não a boca. Não de língua. E acariciava minhas costas e era o máximo de sensualidade que nos permitíamos. E era bom. E toda aquela pressão para o primeiro beijo e até hoje me pergunto como ele pode ficar comigo por tanto tempo.

Conversávamos muito. Sobre poesia. Ele era poeta. Queria ser escritor. Talvez fosse isso. Bastava estar juntos, pegar na mão e falar de poesia. Ele era lindo. E me acariciava as costas. Numas férias de julho, com toda aquela pressão do primeiro beijo, terminei o "namoro". Ele aceitou. Mas não queria. Viu mais em mim do que eu mesma.

Aí veio o outro. Um que gostei e pensei que seria o único que amaria por toda a vida. O primeiro de uma série de amores para toda a vida! Não era poeta. Às vezes até era. Mas não dos bons. Gostava do Cazuza. Queria ser o Cazuza. Mas não era o Cazuza.

Um dia me pediu em namoro. Já houve um tempo em que éramos pedidas em namoro! E pedíamos tempo para pensar. Eu não pedi. Eu queria. E provávamos o amor beijando de língua. Menos eu. Eu não. Não podia. Não sabia fazer beijo assim. Como provar o que sentia? E eu sentia. Tanto que até confessei:

- Como posso namorar você se nunca beijei ninguém?
- Eu também nunca beijei você antes. Que será a primeira vez para nós dois...

Ele me beijou. E toda aquela pressão. E a língua na minha boca, finalmente. E me senti parte do mundo. Não namoramos, que ele amava outra. Ficou com ela. Preferiu a boca dela, assim mesmo com cacófato, que sou a dona da pena. Dele me esqueci. Nem do beijo me lembro direito. O primeiro a ser esquecido depois que a gente cresce.

E num bar em Vila Isabel, beijei o meu marido pela primeira vez. Ele queria. Eu também. E toda aquela pressão do primeiro beijo. E se ele não gosta do gosto do meu gosto? E enquanto ele beijava, a mão deslizava em minhas costas.

Sorri. Certas coisas nunca mudam...



Escrito por Vanessa às 22h41
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Édipo?! É ruim, hein?!

- Mateus, a mamãe te...?
- ... ama!
- E você ama a ...?
- ... Camila!

Eu mereço.



Escrito por Vanessa às 00h30
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