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PeruPosible
 


Fazendo jus ao Peruposible!

Saímos de Lima as 6:10 da manha de sexta, rumo a Cusco, a quase 4 mil metros sobre o nível do mar. Ainda em casa, antes mesmo de tirar um cochilo, tomamos as “Soroche pills”, recomendadas aos visitantes de primeira viagem. Soroche é o horrível mal-estar que algumas pessoas sentem quando estão em locais muito altos.

Não sei se foi o comprimidinho ou a falta de frescura, mas não sentimos quase nada. Só uma certa exaustão que nos impedia de caminhar muito rápido, por exemplo. No meu caso, além do cansaço, tive um horrível ressecamento no nariz, que o fez sangrar nos dois últimos dias.

Nos hospedamos num hotel que nem se pode chamar de hotel na acepção da palavra. É um misto de hospedaria e pousada. Eles só aceitam hospedes recomendados e nem tem placa na porta. A gente aluga mini-apartamentos e fica com a chave, podendo entrar e sair a hora que quiser.

Nossa habitação era praticamente um mini-loft! Super charmoso. Ambientes integrados, lareira e segundo andar com três camas de “viúva” (nem casal nem solteiro), que praticamente não foram usadas, já que o Mateus dormiu com a gente o tempo todo. Tudo era de madeira e o teto tinha uma espécie de “clarabóia”, que deixava passar o sol da manhã.

Todas as noites a gente recebia uma cesta de frutas (banana, maçã, tangerina e pêra), ovos, queijo, presunto, leite e café. O preparo ficava por nossa conta. Mas, no primeiro dia, como uma simpática forma de boas-vindas, entramos no quarto ouvindo uma chaleira apitando, pronta para preparar o indefectível mate de coca, feito com a folha mesmo, ideal para o frio e a altura. O gosto lembrou muito o nosso “capim-santo” e docinho era delicioso.

Cusco é o máximo! Tudo o que Lima não é e gostaria de ser: cosmopolita, ensolarada (ainda que faça um frio danado de noite!), seca e com estrelas no céu! A cidade possui uma interessante vida noturna, com bares e restaurantes super gracinhas, a preços nada assustadores e gente linda dentro!

Conseguimos uma pessoa de super confiança para dormir com o Mateus. Ou seja, deu para conhecer uns lugares legais nas duas primeiras noites. Primeiro, fomos ao Mama África   e dançamos até as três da manha, mesmo mortos de cansaço (lembrem-se, madrugamos!). Na noite seguinte, conhecemos um pub em frente à Igreja Santa Catalina, que só tocava jazz. Para completar, o guitarrista ainda nos deu, de lambuja, um show de tap e cajón, no melhor estilo afro-peruano. Maravilhoso!

Entre uma noite e outra, almoçamos num restaurante popular onde a dona entabulou uma conversa deliciosa com o Mateus. Ela falava um espanhol interessante de quem o aprendeu depois de grande, pois na infância só falava quéchua, e ele, com o espanhol impecável de um bom limenho. Era engraçado ver o brasileirinho falando castelhano melhor que a peruana!



Escrito por Vanessa às 02h46
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Continuando...

Aliás, devo comentar que, em Cusco, onde está uma das maravilhas da humanidade, meu filhote foi uma atração à parte! É mole ou quer mais?! E tudo por causa do cabelo!!! Teve um menininho que não conseguia não tocá-lo e passou o tempo todo conversando com a mão na cabeça do Mateus. Numa região com pouca mistura, onde quase todos têm, por séculos, os mesmo traços físicos e os mesmos cabelos lisos e escuros, os cachos amarelados do meu filho fizeram o maior sucesso!

Tanto é que em Ollantaytambo, lugarejo onde se pega o trem para Machu Pichu, ficamos horas conversando com Mercedes, que deixou de vender seus badulaques só para conhecer melhor o brasileiro que falava espanhol e tinha o cabelo enroladinho. Antes disso, umas senhoras andinas, com suas roupas coloridas, chapéu e aquela espécie de manta pendurada nas costas onde levam as crianças (lijia), falaram em quéchua, entre si, que o Mateus tinha "lindos ojitos y lindo cabello crespo!". Mais ou menos assim: "añañau munaycha nawuichancuna y crespucha".

Mercedes vendia uma espécie de porta-garrafa feita em tela cusquenha. Recomendo que comprem! Além de um charme, é super útil nas longas caminhadas pelos templos sagrados. A gente pendura no pescoço e não precisa se preocupar em guardar a garrafinha de água na mochila. Ela fica sempre a mão. Custa mais ou menos uns 2 soles, menos de um dólar (sem regateio, claro! Porque se pechinchar, cai para um sol facinho, facinho...). Além de porta-garrafa, tinha também porta-celular e porta-máquina-fotográfica, tudo de tecido cusquenho. Um dia, ainda vão virar moda, podem escrever!

De Ollantaytambo o trem demora umas duas horas até Machu Pichu (velho pico) e é bem confortável. É possível fazer esta viagem desde Cusco, claro, mas é mais caro e mais difícil de encontrar passagem. Aliás, a partir do momento em que se decide ir ao “velho pico” (e, afinal, para isso estávamos lá!), a gente tem que se preparar para gastar de verdade. O passeio não sai por menos de 120 dólares por pessoa.

Mas, vale a pena. O lugar é impressionante! Totalmente mágico e surreal. Não dá para acreditar que toda aquela construção e engenharia tenham sido desenvolvidas há mais de 500 anos! Ainda mais quando a gente pensa que essa civilização tão espetacular não existe mais. E como só foi descoberta em 1911 pelo antropólogo americano Hiram Bingham, esta “cidadela sagrada” não foi corrompida pela invasão espanhola. Está praticamente intacta desde a era incaica.

Sua única mácula foi bem recente: na época do Fujimori, a cervejaria Backus quebrou a ponta do relógio de sol ao tentar usá-lo como peca publicitária. Foi um escândalo e uma das primeiras providencias tomadas pelo atual presidente Alejandro Toledo foi proibir este tipo de atividade no local.

Update: esta foto aí de cima, do guia turistico com o cajado em riste (!!!), foi tirada pelo Mateus. Apesar de escura, nao está maravilhosa?! Diria, épica...



Escrito por Vanessa às 02h42
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E, finalmente...

Sinceramente, recomendo a todos que visitem Machu Pichu. Dizem que saindo do Brasil, por Bolívia, o passeio sai bem mais barato e muito mais interessante, já que inclui turismo de aventura e todo o resto. A única coisa que não recomendo de jeito nenhum é comprar artesanato ou o que quer que seja no pé do pico. Para vocês terem uma idéia, pagamos a bagatela de 40 soles (quase 15 dólares!) por um hambúrguer, uma coca-cola e uma garrafinha de água mineral!!!

Mas, enfim, faz parte.

Agora, o Renato se apaixonou mesmo foi por Ollantaytambo, que tínhamos visitado no dia anterior. E com toda razão. O lugar é fofíssimo!!! O ar é limpo, o céu é azul, as pessoas são super educadas. Além da principal fortaleza dos incas, a cidadezinha possui uma pracinha, uns restaurantes bem simples, lojinhas de artesanato, a delegacia de polícia e a igrejinha. Claro que as ladeiras de pedras seculares te levam as casas dos moradores, mas aí é outra experiência, fora do circuito.

Aliás, uma curiosidade: muitos não sabem, mas aqui no Peru, mesmo nos locais mais rústicos, é possível encontrar cabine de internet (um dia vou escrever sobre isso). E Ollantaytambo não poderia ser diferente. Lá mesmo foi possível baixar todas as fotos que tiramos, porque encontramos cabine com speedy, que ainda nos entregou o cd prontinho pelo preço de 10 soles, pouco mais de dois dólares.
 
Passamos por lá de noite, na volta de Machu Pichu, e nos demos conta de que o lugar é ainda mais bonito. Todos os restaurantes estavam iluminados por velas e a pracinha parecia uma árvore de natal. Descobrimos, portanto, que uma boa idéia é sair de Cusco, conhecer a fortaleza de Ollantaytambo e passar a noite lá mesmo, antes de seguir no trem para Machu Pichu na manhã seguinte. Maior clima romântico... ;-)

Outra coisa que nos chamou a atenção foi a limpeza dos banheiros. Não entramos num lugar, desde o Mama África as duas e tanta da manha até a birosca mais simples de beira de estrada, sem que o vaso sanitário estivesse impecável e o rolo de papel higiênico encostado na pia. Dá para fazer xixi sem medo!
 
Para coroar, uma historinha de turista, mas super gracinha. Na volta de Machu Pichu, fomos seguidos por um legitimo representante inca! O moleque não devia ter mais de dez anos de idade e foi se despedindo da gente desde o pé do pico até Águas Calientes, de onde o trem regressava a Ollantaytambo. O detalhe é que a gente estava num micro-onibus, numa viagem que deve ter tomado uns vinte minutos, e ele estava a pé, correndo no meio do mato.

Era impressionante, porque ele sempre aparecia nas curvas da estrada antes de a gente chegar! Durante todo o trajeto, a gente tentou, sem conseguir, tirar uma foto, o que só aumentava o clima mágico da situação, pois aparecia todo o ambiente, menos ele, que já estava a quilômetros de distancia. Ela só foi finalmente tirada quando, lá pelas tantas, o motorista parou e o indiozinho entrou para recolher seu trocado! Mas, sem posar e sem nos dizer o nome, que ele fingiu não entender quando perguntamos.

Ninguém se importou em dar gorjeta, claro! O show que eles nos proporcionou certamente valeu muito mais que o dólar que colocamos em seu saco tecido a mao!



Escrito por Vanessa às 02h37
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